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WILIAN MARQUES

Ensaio


O velho na pedra, e o mar a dançar

as ondas vão, entre ir e voltar

ele foi menino, corria no chão

agora é salitre, cal nos ossos, imensidão


O mar não pergunta se pode chegar

só vem, só quebra, faz recuar

a vida da gente é esse vai e vem

onda que avança, onda que convém


Cada onda nova é começo de mar

cada onda antiga é um pouco de pesar

o velho aprendeu na pedra a lição

viver é ir viver é voltar, imensidão


Já teve tempestade, já perdeu o céu

já viu o vento levar pedra e papel

mas feito onda que quebra no chão

aprendeu que a força é recomeçar, imensidão


O velho e o mar, dois velhos comparsas

um vive de espuma, outro de farsas

se entendem na água, no vento, no sal

a vida é isso, um entra e sai frugal


Morrer é virar linha do horizonte

o corpo cansou, o mar amainou

feito onda que some e volta depois

a gente também, poucos uns, muitos dois


Ele levanta, caminha no molhado

o pé se afunda, é rastro já borrado

cada passo é risco que o mar vem levar

mas ele segue, sabe que o infinito é um lugar


O mar não dorme, ronca, espuma, é ator

leva navio, traz concha, é vaivém, é amor

o velho aprendeu a nadar no sem-fim

não tem medo do fundo, o fundo é dentro de mim


As ondas vêm, ele abraça o mundo

as ondas vão, ele espera moribundo

as vidas mesquinhas pro mar repetir

viver é ir e voltar, é partir e vir

O velho e o mar, dois velhos senhores

um de água e sal, outro de dores e amores

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Criado por Lady Cogumelo - Panorama SC

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