WILIAN MARQUES
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 9 horas
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Ensaio
O velho na pedra, e o mar a dançar
as ondas vão, entre ir e voltar
ele foi menino, corria no chão
agora é salitre, cal nos ossos, imensidão
O mar não pergunta se pode chegar
só vem, só quebra, faz recuar
a vida da gente é esse vai e vem
onda que avança, onda que convém
Cada onda nova é começo de mar
cada onda antiga é um pouco de pesar
o velho aprendeu na pedra a lição
viver é ir viver é voltar, imensidão
Já teve tempestade, já perdeu o céu
já viu o vento levar pedra e papel
mas feito onda que quebra no chão
aprendeu que a força é recomeçar, imensidão
O velho e o mar, dois velhos comparsas
um vive de espuma, outro de farsas
se entendem na água, no vento, no sal
a vida é isso, um entra e sai frugal
Morrer é virar linha do horizonte
o corpo cansou, o mar amainou
feito onda que some e volta depois
a gente também, poucos uns, muitos dois
Ele levanta, caminha no molhado
o pé se afunda, é rastro já borrado
cada passo é risco que o mar vem levar
mas ele segue, sabe que o infinito é um lugar
O mar não dorme, ronca, espuma, é ator
leva navio, traz concha, é vaivém, é amor
o velho aprendeu a nadar no sem-fim
não tem medo do fundo, o fundo é dentro de mim
As ondas vêm, ele abraça o mundo
as ondas vão, ele espera moribundo
as vidas mesquinhas pro mar repetir
viver é ir e voltar, é partir e vir
O velho e o mar, dois velhos senhores
um de água e sal, outro de dores e amores


