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WILIAN MARQUES
Dingobéu No sul do Brasil tropical, o espírito natalino surge suado, fora de prumo e de controle. Dezembro chega bêbado de sol, com vitrines piscando promessas e vendedores oferecendo felicidade multi parcelada. O asfalto ferve, a cerveja sua, o vinho esquenta e alguém insiste em cantar versos sobre neve enquanto abana o rosto com um panfleto de loja. Há uma alegria ruidosa, meio cafajeste, que se espalha pelos lares, pelas calçadas e pelos escritórios, já em modo de sobrevi
18 de dez. de 2025


WILIAN MARQUES
Tinta Escrever é um ato de egoísmo disfarçado de partilha. É a conversa mais sincera que eu consigo ter contigo caro leitor, enquanto o mundo lá fora acha que somos estranhos um ao outro. A mão no papel, ou os dedos no teclado, insistem como um coração teimoso, batendo no peito. Procuram uma fresta, só uma, por onde aquilo que somos de verdade possa escapar, sem alarde. Por isso, quando alguém me diz “eu li seu texto”, sinto um susto doce. Um ruído no ar. É como se tivessem e
11 de dez. de 2025


WILIAN MARQUES
Petit Comité O sol da tarde não incendeia, apenas ilumina com desdém o palco principal de nossos dias comuns: a calçada defronte à padaria cujo aroma é uma epifania diária e uma pequena traição. Aquele cheiro de pão quente e macio, um embuste que se desfaz duro e seco dentro do saquinho amarrotado, é o símbolo perfeito de nossa condição. Ali, na calçada rachada, está a sede não oficial do mais democrático dos clubes, aquele para o qual somos recrutados ao nascer, o Clube dos
4 de dez. de 2025
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