Presidente da Associação Girassóis fala sobre fibromialgia na Câmara
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 19 horas
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A participação de Giselli Cunha, presidente da Associação Girassóis Fibromiálgicos do Extremo-Sul-Catarinense, na reunião da Câmara de Vereadores de Urussanga chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas diariamente por pessoas diagnosticadas com fibromialgia. Durante sua manifestação, ela apresentou o trabalho desenvolvido pela entidade e defendeu a ampliação do atendimento e do tratamento especializado pelo poder público.
Criada em 2020, durante a pandemia, a Associação Girassóis atua em três regiões do Sul de Santa Catarina — AMREC, AMESC e AMUREL — abrangendo municípios desde Passo de Torres até Garopaba. Segundo Giselli, a entidade busca oferecer suporte aos municípios para identificar a existência de atendimento adequado aos pacientes e, quando necessário, mobilizar esforços para a criação de políticas públicas e leis municipais voltadas à fibromialgia.
“Hoje, a gente dá esse suporte para os municípios, para saber se eles têm esse tratamento, se eles não têm, a gente luta para colocar as leis dentro do município e iniciar o tratamento”, explicou.
Um dos exemplos apresentados por Giselle é o Ambulatório de Atenção à Saúde da Pessoa com Fibromialgia, da UNESC, em Criciúma, considerado pela associação uma referência na região. O serviço trabalha com uma equipe multiprofissional e uma abordagem que busca atender os sintomas físicos e também os aspectos emocionais relacionados à doença. O encaminhamento dos pacientes ocorre após triagem pela rede pública de saúde.
A equipe é composta por diferentes profissionais, entre eles nutricionista, farmacêutico, dentista, educador físico, fisioterapeuta, psicólogo e enfermeiro. Para Giselli, a atuação conjunta é fundamental diante da complexidade da fibromialgia, que provoca dores crônicas e pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Durante o encontro na Câmara, a presidente da associação também relatou sua experiência pessoal com a doença e revelou que a própria trajetória de luta pelo tratamento começou em um momento extremamente difícil. Ela contou que chegou a realizar quatro tentativas de suicídio diante da falta de esperança e das dificuldades para conseguir atendimento adequado.
O relato serviu para reforçar a importância de políticas públicas voltadas aos pacientes. “A gente luta por leis, porque o fibromiálgico tem muita despesa na farmácia. Ter dor todos os dias não é fácil e a dor tem pressa”, afirmou Giselli.
De acordo com ela, o número de pessoas diagnosticadas com fibromialgia vem crescendo na região. Em Criciúma, por exemplo, a estimativa apresentada passou de aproximadamente seis mil pacientes em 2020 para cerca de 12 mil atualmente. Em Santa Catarina, a associação estima que mais de 150 mil pessoas convivam com a doença.
Giselli destacou ainda que a Associação Girassóis procura atuar como elo entre os pacientes e os municípios, orientando e encaminhando as pessoas em busca dos serviços disponíveis. A entidade também defende que os municípios criem mecanismos permanentes de atendimento e tratamento para quem convive com a doença.
Para a presidente, a luta é para que o paciente com fibromialgia tenha acesso a um atendimento digno e multidisciplinar, reduzindo o sofrimento e os impactos provocados pela dor crônica. “Ninguém nasceu para viver com dor”, resumiu.
Os pacientes ou familiares que necessitarem de informações e orientação podem entrar em contato com Giselle Cunha pelo telefone (48) 99920-1083.




