Poda da parreira - conhecimento passado de geração para geração
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 13 horas
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Inês, a urussanguense que poda videiras desde os 15 anos

Em plena Avenida Presidente Vargas, no coração de Urussanga uma parreira com cerca de cinco décadas preserva uma das tradições mais ligadas à história da cidade: o cultivo da uva.
Aos 67 anos, dona Inês Demarch mantém vivo um conhecimento aprendido ainda na adolescência, quando começou a acompanhar a família no trabalho de poda das videiras no interior do município.
Na altura do número 180 da Presidente Vargas, em meio ao movimento da principal avenida, uma parreira chama a atenção de quem passa. Plantada há aproximadamente 50 anos na propriedade da família Damiani, a videira é um exemplo de como a cultura da uva permanece presente mesmo no ambiente urbano.
É nesse local que dona Inês realiza, todos os anos, o trabalho de poda. A técnica, segundo ela, exige experiência e conhecimento para garantir que a planta mantenha sua força e produza uma boa quantidade de frutos.
“Eu deixo três galhinhos, três brotações em cada galho”, explica Inês, afirmando que deixar uma quantidade excessiva de galhos pode comprometer a produção.
“Para a planta não perder tanta força na brotação, se deixar muitos galhos, ela produz pouco”, ensina. O conhecimento não veio de cursos ou manuais. Foi adquirido na prática, dentro da própria família.
Dona Inês conta que começou a aprender a poda aos 15 anos, no interior. Desde então, são aproximadamente cinco décadas dedicadas ao cuidado das parreiras.
O trabalho não termina com o corte dos galhos. Depois da poda, também vem a amarração dos ramos, etapa realizada quando a planta começa a brotar. O cuidado é necessário para evitar que os brotos sejam danificados.
“Se ela começa a brotar, machuca e acaba perdendo”, explica.
Outro detalhe que chama a atenção é a forma como a parreira da família Damiani é cultivada. De acordo com Diogenes Damiani, que atualmente administra a propriedade, não são utilizados produtos químicos na produção.
A safra é conduzida de maneira natural, preservando uma característica cada vez mais valorizada por quem aprecia os produtos cultivados de forma tradicional. Para Dona Inês, o frio é um dos fatores fundamentais para garantir uma boa safra.
“Bastante frio é a prioridade dela, igual à da maçã”, observa, destacando a importância das condições climáticas para o desenvolvimento adequado da videira.
A parreira da Avenida Presidente Vargas representa uma ligação com a própria identidade de Urussanga, município cuja história está profundamente associada à vitivinicultura e à tradição trazida pelos imigrantes.
Enquanto realiza a poda, dona Inês demonstra que o trabalho exige paciência, habilidade e, principalmente, experiência. Aos 67 anos, ela continua colocando em prática um conhecimento que recebeu da família e que atravessou gerações.
Em uma cidade conhecida por sua produção de vinhos e pela tradição das famílias que cultivam uvas, a parreira dos Damiani se transforma em uma espécie de símbolo dessa cultura. Ali, na principal avenida da cidade, quem passa pode encontrar uma pequena parreira onde a tradição permanece viva.
Saiba Mais
Ter um parreiral no quintal da residência era algo comum até no centro de Urussanga.
O costume visava o consumo próprio da uva in natura e a produção de vinho e vinagre para as famílias.
Aos poucos, o crescimento populacional e a urbanização fizeram com que esta tradição fosse sendo deixada de lado, tanto pela comodidade de adquirir estes produtos em mercados quanto pelo constante trabalho que esta cultura exige, indo desde a poda, amarração dos ramos, pulverização de produtos para evitar doenças da videira e até a instabilidade das colheitas, muitas vezes sendo perdidas por excesso de chuvas ou outras intempéries.
Atualmente, poucas famílias mantém seus parreirais. Além dos Damiani na Avenida Presidente Vargas e dos Damian na Rua Olívio Gealdini Mariot, pode-se registrar também o parreiral da família Maestrelli na rua César Mariot e o dos Fontanella. Todos, certamente, respeitando o legado dos antepassados e fazendo da uva uma mostra de que as raízes culturais continuam fortes e vivas.




