60 anos do SAMAE - uma história de trabalho e perseverança
- MARCIA MARQUES COSTA

- 26 de fev.
- 2 min de leitura

Veneranda De Bona lavando roupa em tanque com água corrente. Década de 1960. Foto Arquivo Panorama
Neste mês de março, o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto - Samae de Urussanga, completa 60 anos de atuação, consolidando-se como um dos pilares essenciais para a qualidade de vida da população local.
Ao longo dessas seis décadas, o Samae tem sido o principal agente responsável por garantir água encanada tratada até os pontos mais distantes do município, um resultado do trabalho integrado de agentes políticos, lideranças comunitárias e do povo urussanguense.
A importância da água tratada vai muito além do simples fornecimento para o consumo diário. Ela é fundamental para a prevenção de doenças, para o desenvolvimento social e para o conforto das famílias.
No histórico do Samae, destaca-se a persistência de prefeitos e Diretores da autarquia em ampliar a rede de abastecimento, enfrentando desafios técnicos e geográficos para alcançar comunidades rurais e bairros periféricos, que antes conviviam com a escassez.
Mais de meio século após a fundação, o Samae ainda tem grandes desafios a enfrentar, os quais vão desde o trabalho de garantir água potável que venha suprir o crescimento populacional no futuro, até a busca de recursos para os investimentos que precisam ser feitos no presente.
Em seu livro Tanti anni dopo, a escritora Marcia Marques Costa deixou registrada a história dessa autarquia e dos desafios enfrentados para que os urussanguenses tivessem hoje água direto na torneira de suas residências.
Entrevistado pela escritora, o funcionário do Samae que acompanhou toda a implantação do sistema, desde a criação da primeira represa até o início da rede de tratamento de esgoto - o saudoso Rubens Fontanella, disse: “ Era um tempo em que Urussanga estava mal de água para o abastecimento, pois além da poluição dos rios em função da extração do carvão, nem mesmo os poços que haviam sido perfurados ou que deveriam ser, tinham água de qualidade para o consumo humano. Não havia, até então, um sistema de abastecimento para atender a população. A municipalidade conseguiu um convênio e investiu recursos para a criação desse sistema, mas surgiu um problema ainda maior. A população se revoltou, as pessoas não entendiam porque tinham que pagar pela água que era gratuita e que, afinal, não tinham sido eles que poluíram. Mas, aos poucos, o povo foi entendendo que era preciso dinheiro para manter e ampliar o sistema de distribuição, como acontece até hoje, e acabou aceitando ter que pagar pela água que, então, começou a chegar nas residências em canos de ferro”, explicou Rubens.
Que a imagem da urussanguense Veneranda De Bona, lavando roupa à moda antiga em tanque com água corrente na década de 1960, seja o símbolo do arrojo da nossa gente em construir um sistema que atualmente atende cerca de 7.700 ligações.
Mas que seja, também, o alerta para a necessidade de ações constantes de preservação dos mananciais, muitos deles poluídos pela extração do carvão mineral, ampliação da rede de esgoto sanitário e de investimentos em melhorias nas redes de distribuição para levar água em quantidade e qualidade para toda a população.





Comentários