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SÉRGIO MAESTRELLI

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO


Na Praça Anita, em 1977, a Cantina Belvedere: boa comida e diversão com jogos de pacau (também conhecido por pebolim), bolão, snooker, canastra, pife. Estava localizado onde hoje se encontra o edifício Bez Fontana e Talismã Calçados.


SANTO EXPEDITO, ROGAI POR NÓS



Em Rio Carvão, no capitel construído em granito pelo casal Eduardo e Tini Piacentini, no último dia 19 foi celebrada missa pelo nosso pároco Giliard Cesconeto Gava. Com a entoação de belos cantos sacros, Tainara Cittadin e Marina Gomes. O capitel foi construído em 2005 e abençoado pelo Pe. Daniel Sprícigo. No salão de Festas São João Maria Vianney, a confraternização com aquele churrasco com sabor de festa de igreja. Controlando o fogo na churrasqueira, Alaércio Cittadin, Vilmar Fenili,, Carioca e Lucas Giusti. Se a causa for justa, confie neste santo que era soldado romano. Santo Expedito é o santo das causas justas e urgentes, o santo do “hoje” e não do “amanhã”.

E quem não tem causas urgentes para resolver na vida? Pe. Giliard afirmou que em dia de santo devoto, abre-se um canal de graças entre o céu e a terra.


PÍLULAS


E as calçadas defronte algumas agências bancárias em nossa cidade: elas se parecem com mini faixas de Gaza. É só exercitar um versículo bíblico, aquele do “Vinde e Vede”. Bancos dispõem de dinheiro. Que tal investir nas calçadas, senhores gerentes? O pedestre agradece.

Pelos comentários esportivos do Marco Antônio Medeiros, se deduz que o problema principal do Criciúma Esporte Clube são as coxas. Só se escuta que jogadores do elenco estão com dores fortes na posterior da coxa esquerda, na posterior da coxa direita, na anterior da coxa direita, na anterior da coisa esquerda.


ATTENTI RAGAZZI


A 3ª idade é “GM”.


KAMOLA



No final do sábado, dia 18, Urussanga perdeu uma das pessoas mais queridas e conhecidas de nosso município. Em qualquer evento, se fosse feita a pergunta: “Quem não conhece a Kamola, que levante o braço?” Seguramente ninguém levantaria, pois todos a conheciam. A história de Urussanga não foi escrita apenas por imigrantes italianos, mas por açorianos, alemães, africanos e poloneses também. Pe. Francisco Boleslau Chylinski, Pe. Estanislau Cizeski, Terezinha Kamola são alguns dos exemplos que merecem registro. A nota de seu falecimento veio no domingo de manhã, dia 19, pela “Andorinha Mensageira”. Numa cena e num momento de carregadíssima emoção, seus filhos Luciano e Leandro puxaram os sinos que tristemente anunciavam o seu falecimento. Foi uma homenagem a mãe guerreira. Sofia Serafin Couto Menegon e eu tivemos o mesmo pensamento: Desta vez os sinos não bateram apenas na terra, bateram também nos céus. Ela entrará no céu pela porta da frente. A “tia” Kamola chegou a Urussanga, vinda do município de Meleiro, em 1958 aos 7 anos, na condição de mais uma órfã do Paraíso da Criança, numa época sem Conselho Tutelar ou Promotoria que acolhiam. Era o coração que acolhia, era o Padre Agenor que a acolheu assim como centenas de meninas órfãs. Kamola, com o passar dos anos, se confundiria com o Paraíso da Criança. Foi guardiã, coluna e alicerce do Paraíso por décadas. Ela não veio para ser servida e sim para servir. Dezenas e dezenas de crianças passaram por suas mãos. Mãos que afagavam, mãos que lavavam, mãos que cozinhavam, mãos que rezavam na Capela São José juntamente com as meninas o terço em memória dos falecidos, mãos que ajudavam. Era a primeira a levantar e a última a deitar. Doceira que, com seus doces, adoçava a vida das crianças. Mãos que puxavam as cordas dos sinos da Matriz. Mãos que juntamente com o padre apicultor cuidou de abelhas. Desse modo, ela distribuía mel e não fel. Kamola anunciou a tristeza e a alegria, a vida e a morte com o toque dos sinos por quase 50 anos, diariamente às 6h, 12h e 18h, aos sábados às 16 horas, além de missas e falecimentos. Aprendeu o ritual dos toques com Elias Biz, Adão Bettiol e Egídio Dezan. Pelos sinos, ela anunciava alegria, glória e júbilo, tristeza e dor. Anunciava a vida, anunciava a morte. Kamola deu muito mais que recebeu. Nas exéquias, Rosa Miotello desfilou fatos de sua vida. Falava pouco, ouvia bastante. No silêncio e na humildade, fez muito por nossa comunidade, afirmou Rosa. Já a Mayra uma das meninas internas e nossa afilhada, tomada pela emoção, não conseguiu concluir as preces. “Kamola foi a luz da minha infância, luz da minha vida. Kamola foi o meu alicerce quando a minha casa foi ao chão”, registrou outra menina que viveu no Paraíso. O cantor João Cechinel afirmou que a Kamola era ícone do bem da Benedetta. Prefeita Stella afirmou que ela foi um exemplo de cidadã. Urussanga lhe concedeu o título de Cidadã Urussanguense. Ela teve mãos que rezaram e principalmente mãos que ajudaram, mãos que auxiliaram a erguer muitas crianças que enfrentavam as agruras da vida. Finalizando o ritual das exéquias, Pe. Giliard afirmou que a Kamola, querida e inesquecível, irá receber o abraço do Senhor da Vida. Ela que foi uma presença atuante, constante e silenciosa. O mundo segue em frente com o trabalho e a dedicação de pessoas como ela. Citou São Paulo – que “Combateu o bom combate e aguarda a coroa dos justos”. Foi sepultada no chão sagrado de Urussanga no entardecer do domingo, dia de Santo Expedito. Logo depois, na hora do Angelus, os quatro sinos da Matriz soaram pelas mãos do Zé Catarina, Laércio e Benincá, em homenagem a ela. Até sábado ela esteve no Paraíso da Criança aqui na terra. Agora está no Paraíso da Criança no céu. Por isso, cito John Donne, popularizado pelo escritor norte americano Ernest Hemingway: “Não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por você.”

A morte de um ser humano sempre nos diminui.

E como Urussanga ficou diminuída com o adeus da Terezinha Kamola Costa (06 de maio de 1950 – 18 de abril de 2026. O vazio do Paraíso aumentou. No passado, crianças brincando numa grande algazarra pelo pátio, agora no presente, imperando um silêncio ensurdecedor, atordoante.

Vai ser muito estranho e muito esquisito para mim subir a colina, ir ao Paraíso da Criança e não encontrar mais a Kamola.

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Criado por Lady Cogumelo - Panorama SC

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