SERGIO MAESTRELLI
EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

João Cechinel e a filha Luíza trazendo até nós os sons da Itália em 2001, nos palcos da VII Ritorno Alle Origini e posteriormente na Festa do Colono no município de Treviso. Cechinel atuou por vários anos aqui na Delegacia de Polícia de Urussanga. Natural de Timbé do Sul e hoje morador de Balneário Arroio do Silva, é também patrimônio cultural de Urussanga. Música italiana, romântica ou típica, é com ele, que nos proporciona excelentes momentos. E não podemos esquecer da filha Luíza, que além de cantar, encanta. Aos dois, o abraço do Panorama e do Attenti Ragazzi.
SEMPRE ELA, A PEDRA

Depois de colocarem os pés na milenar Itália, alguns membros da comitiva voltaram com opinião reformada sobre a importância do granito aqui em Urussanga. Nada como uma viagem para arejar a mente.
A preocupação com a pedra não é apenas algo inerente ao comum dos mortais.
Grandes pensadores também se preocuparam com a pedra. Foi objeto de obras na literatura, filosofia, psicologia. O filósofo argelino Albert Camus utilizou a pedra como símbolo máximo da condição humana. O filósofo holandês Baruch Spinoza usou a pedra em movimento para ilustrar sua visão sobre o livre arbítrio. Alquimistas na Idade Média buscaram a pedra filosofal. Para Carl Jung, a pedra representava o eu superior. O alemão Friedrich Nietzsche em “Assim falou Zaratustra” associou a ideia de peso e solidez à pedra.
O maior de todos, Jesus Cristo, enalteceu a pedra ao afirmar que “a pedra que foi rejeitada pelos pedreiros, tornou-se pedra angular” e “Tu és Petrus e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e o inferno não terá poder de prevalecer sobre ela”.
O poeta mineiro Carlos Drumond de Andrade imortalizou a pedra em seu poema “Tinha uma pedra no meio do caminho”, uma das obras mais debatidas da literatura brasileira. A pedra é aquilo que não pode ser ignorado, disse o poeta em 1928.
Aqui em Urussanga, o poema se inverte. Se em Minas havia uma pedra no meio do caminho, aqui em Urussanga falta uma pedra no meio do caminho.
Estou me referindo à praça Anita Garibaldi, que em sucessivos eventos, arrancam-se pedras do calçamento tombado para fixar com segurança as tendas no meio da rua.
As pedras retiradas não são repostas no fim do evento e as mesmas ficam no meio fio aguardando o rumo do entulho ou aguardando mais uma vez uma ação do Zavarise, que já está cansado de repor as mesmas. Em alguns eventos somem pedras.
Confira nas fotos o que estamos registrando.
Concordo com o assessor parlamentar André Fogliarini Ribeiro, quando afirma que “o futuro de Urussanga está no seu passado”.
Dizem que “aqui em Urussanga, até para mexer uma pedra é melhor consultar o patrimônio histórico”. E é preciso mesmo.
As pedras estão cansadas de sofrer os golpes da ignorância. É duro ou é mole?
É mole, mas vai endurecer. A pedra na praça é patrimônio cultural tombado.
E lembramos que crime contra a cultura é crime federal. A Administração irá iniciar uma restauração das calçadas com a pedra proveniente do estado do Espírito Santo de acordo com o prefeito em exercício Renato Bez Fontana. E você sabe por que elas estouraram? Procuramos quem entende e ele nos informou três motivos.
Algumas devido à raízes das árvores. Inúmeras outras quebram porque a turma de Tramandaí não respeitou o espaço para a sua dilatação no período de verão. Um outro grande grupo de pedras quebradas se deve à colocação mal sucedida. Um pouco de argamassa nos quatro cantos e grande parte do meio ficando oca. Esperamos que a Administração também efetue a restauração do calçamento em alguns pontos que foram abertos e recolocados de modo totalmente amador. A cultura espera que a mão de obra para tais intervenções sejam da qualidade necessária. Já chega o dano cultural que a Turma de Tramandaí proporcionou à praça na administração 2013-2016.
PÍLULAS
- No seu período como prefeito interino, Renato Bez Fontana, manteve contato com muitos servidores do `Paço e das demais unidades ligadas à Administração Municipal. Disse que “os servidores estão se dedicando e deixou a mensagem. Atender bem quem está do lado de fora, pois é esta pessoa do lado de fora que está pagando o salário do servidor aí dentro. Somos todos servidores e servidores é para atender bem. Se não servir bem há a opção por outras profissões em outros locais”.
- “Não me atraso em compromissos. Acho falta de respeito.” Ana Maria Braga
- Afinal, perguntar não ofende, apenas esclarece. Qual seria a jornada de trabalho dos urussanguenses na Alemanha, Itália, Portugal e Inglaterra? 6x1, 5x2, 6x0?
- No Vale do Itajaí o município de Timbó, cognominado de “A Pérola do Vale”, possuía uma livraria e papelaria com um sugestivo nome “Só Papel”.
- Na campanha eleitoral, ficamos sabendo que o Lula não tem celular. E eu que achava que era um caso único no país.
- Todos criticam a famigerada Lei das Licitações que vive produzindo verdadeiros absurdos. Todos querem mudá-la, menos os políticos. Porque será? Arrisque um palpite aí.
-O assunto do momento é Santa Luzia, Bel Recanto, Bela Vista. Todo o apoio aos moradores dessas comunidades. Que Santa Luiza, a santa da luz, ajude os burocratas do Governo que elaboraram esse projeto de mais de 300 milhões sem consulta e com desprezo total pela comunidade envolvida. Se essas reuniões tivessem ocorrido no período eleitoral, o Salão de Festas Santa Luzia seria pequeno para todos. Seria preciso alugar tendas para abrigar todos os políticos com mandato ou no caminho de tentar obtê-lo.
ATTENTI RAGAZZI
Desistir de algo nunca constituiu opção inteligente.
Você que está em dúvida, pense nisso.





