Eleição 2026 - Urussanga campeã estadual de abstenção

O Preço da Omissão
Por Marcia Marques Costa
Nesta eleição de 2026, o Brasil se dividiu em certezas contraditórias com promessas de paraíso, e o povo assistiu ao desfecho do 1º turno com aquela mistura típica de esperança e desencanto. TVs, rádios e até as ruas abrigaram a disputa. Houve desde programas elaborados a candidatos que entupiram espaços públicos com publicidade, até gente se engalfinhando por sonhos empacotados em santinhos de campanha eleitoral.
Nas mesas de bar, homens e mulheres debateram com a paixão de quem tem a verdade toda na palma da mão. Nas redes sociais algoritmos alimentaram bolhas, onde cada um via e aceitava somente o que confirmava suas convicções.
Neste segundo turno, algo parece ter mudado.
Os candidatos se reinventam. Quem havia sido radical suavizou a linguagem. Quem havia sido comedido descobriu o discurso de confrontação.
Todos de olho em números e, também, no eleitor indeciso e que é um contingente enorme de votos : 33,4 milhões.
O que aconteceu com eles?
No dia 4 de outubro, quando as urnas se abriram, estes brasileiros escolheram estar em outro lugar. Não era protesto declarado, não era ideologia exibida. Era a ausência de uma multidão de histórias: de gente que está cansada, descrente, no desemprego, que está doente, que enfrenta distância e burocracia que excluem, a exemplo dos milhões de caminhoneiros impedidos pela lei de votar em trânsito.
A democracia pulsou, mas com batimentos cardíacos falhando.
Só em Urussanga, onde houve o maior número de abstenções em Santa Catarina, 24,99% dos 17.330 eleitores não votaram. Isso significa dizer que 4.330 não compareceram no 1º turno. A dúvida que fica é: estes faltantes estão em Urussanga, em viagem ou trabalhando no exterior?
Agora, neste 2º turno, outras batalhas nasceram.
As pesquisas viraram religião. Cada divulgação de números produz migrações de esperança de um lado para o outro. Os consultores políticos ganham peso de oráculos. A margem de erro de dois pontos percentuais vira assunto de tese de mestrado em bares, e os devotados de plantão colocam suas escolhas no mundo virtual enquanto os acordos entre partidos se multiplicam em salas fechadas.
No Brasil real, a vida segue seu trajeto: contas atrasadas, chuvas precipitando sobre cidades sem drenagens, gente morrendo sem ser atendida em hospitais, sem remédios, sem exames; obras públicas mal feitas, preços de alimento em alta, empreendimentos esmagados por impostos, jovens buscando emprego, idosos chorando o roubo de dinheiro do aposentado e contando tostão, povo sem segurança, com medo e endividado.
É bem verdade que o voto do dia 25 de outubro promete respostas que ninguém sabe se terá, ou se o vencedor realmente mudará o atual quadro.
Mas eleição é isso: tempo de mostrar que não gostou do que tem ou que quer continuar com seus governantes. Uma escolha que pode ser modificada posteriormente se a gente errar.
Porém, democracia exige responsabilidade e participação. E, principalmente, análise das promessas de campanha, e do histórico de resultados de quem as faz. Vamos torcer para que o eleitor brasileiro, em especial o urussanguense, entenda sobre o que cada voto significa para o seu futuro e o do país.
Que não sejamos os primeiros colocados no ranking da omissão.Pense nisso. Faça sua parte.
As 10 cidades com maior
abstenção em SC no 1º turno
Urussanga: 24,99% (4.330 eleitores ausentes)
Dionísio Cerqueira: 24,85% (3.004 eleitores ausentes)
São Francisco do Sul: 24,69% (10.535 eleitores ausentes)
Timbó Grande: 24,62% (1.452 eleitores ausentes)
Santa Cecília: 24,58% (3.012 eleitores ausentes)
Itapoá: 24,41% (5.279 eleitores ausentes)
Abelardo Luz: 23,98% (3.102 eleitores ausentes)
Balneário Piçarras: 23,95% (5.575 eleitores ausentes)
Imbituba: 23,84% (10.054 eleitores ausentes)
São Joaquim: 23,75% (4.637 eleitores ausentes)
Dados divulgados no site NSC





