Aviação – o sonho que deu asas para a jovem Kauany

Há sonhos que começam pequenos, quase silenciosos.
Um olhar para o céu, o som de um avião passando, uma pergunta de criança sobre para onde aquelas pessoas estão indo.
Para Kauany Sorato, urussanguense apaixonada pela aviação, esse encanto não ficou guardado apenas na imaginação. De comissária de voo a ter sua carteira de piloto, ele virou caminho, escolha e profissão.
A história de Kauany toca porque fala de algo muito simples e muito forte: a coragem de levar a sério um sonho de infância. Nascida em Urussanga, no Sul de Santa Catarina, ela representa tantas pessoas de cidades pequenas que crescem olhando para o mundo com curiosidade.
Seu percurso mostra que a distância entre uma infância cheia de planos e uma carreira nas alturas pode ser menor quando há dedicação, estudo e persistência.
Entrevista
A seguir, uma entrevista que, de forma inspiradora, revela a trajetória de Kauany Sorato e os temas centrais de sua caminhada na aviação.
Panorama: Quando nasceu sua paixão pela aviação?
Kauany: Desde criança, meu pai sempre me incentivava a estar perto da aviação, ele tinha uns avioes de aeromodelismo e a gente ia em eventos de aeromodelismo, e ele sempre me envolvia nos sonhos dele também, então quase todo final de semana a gente estava se divertindo em eventos e voando esses pequenos aviões de aeromodelismo.
Panorama: Em que momento você decidiu que queria ser comissária de bordo?
Kauany: Sempre fui uma pessoa curiosa e atenta as oportunidades mais diferentes, então no ensino médio quando fui fazer um trabalho de sociologia tínhamos que apresentar qual seria nosso sonho de profissão, foi então, que eu despertei mais o meu desejo das alturas, porém não era um simples trabalho, eu tive que ir atrás de um profissional da área, então fui ao aeroporto de Jaguaruna, e conversei com uma tripulação da latam, e foi assim que eu tive a certeza do que eu queria, era estar ali, e viver a vida mais diferente e divertida.
Panorama: Como foi sua trajetória até chegar à profissão?
Kauany: Minha trajetória até chegar à aviação foi marcada por muita dedicação, coragem e,principalmente, pela vontade de realizar um sonho. Não foi um caminho fácil: precisei pesquisar muito, buscar informações e entender cada etapa necessária para chegar até onde eu queria. Para isso, tomei uma decisão importante: fui morar em Florianópolis e passei seis meses estudando todos os dias, com foco e disciplina, me preparando para uma das provas mais importantes desse processo, a prova da ANAC. Foram meses de renúncias, desafios e muito aprendizado, mas também de amadurecimento e de acreditar que todo aquele esforço valeria a pena. Eu sabia que estava construindo algo muito maior do que uma carreira: estava dando vida a um sonho que exigia coragem, persistência e dedicação. Hoje, olhando para trás, vejo que cada dificuldade fez parte da minha história e me trouxe até aqui. E isso me faz ter ainda mais orgulho da profissional que estou me tornando e da trajetória que escolhi seguir na aviação.
Panorama: Quais foram os maiores desafios?
Kauany: Existem fases em que a gente se pergunta se vai dar certo, se está no caminho certo, se tem o perfil esperado. Também há o desafio da adaptação. A rotina da aviação é diferente. Os horários mudam, os dias não são sempre iguais e a saudade de casa pode aparecer. Para quem tem raízes fortes na cidade de origem, como eu tenho em Urussanga, isso pesa em alguns momentos.Mas eu aprendi a transformar a saudade em força. Cada voo me lembra por que comecei. Cada etapa vencida reforça que valeu a pena continuar.
Panorama: Como você superou esses obstáculos?
Kauany: Com fé, preparo e apoio. Ter pessoas que torcem por nós faz muita diferença. Outra coisa importante foi aceitar que ninguém começa sabendo tudo. A evolução vem com humildade. Perguntar, ouvir, observar e melhorar todos os dias faz parte da profissão. Quando surgia um medo, eu tentava lembrar da menina que olhava para os aviões com encanto. Eu não queria decepcionar aquela versão de mim. Isso me dava coragem.
Panorama: Qual foi um momento marcante da sua carreira?
Kauany: Um dos momentos mais marcantes e emocionantes da minha carreira foi, sem dúvida, ter a oportunidade de levar meus pais comigo em um voo pela primeira vez. Naquele dia, eu estava de sobreaviso, ou seja, de plantão, aguardando a possibilidade de ser acionada para algum voo. E, para minha surpresa, fui chamada justamente para fazer a rota Jaguaruna–Campinas. Na mesma hora, liguei para os meus pais e disse: “Arrumem as malas, porque hoje vocês vão voar comigo!” Meu pai, inicialmente, ficou um pouco resistente por conta do trabalho, mas, felizmente, conseguiu uma folga para estar comigo naquele momento tão especial. Voar com eles pela primeira vez foi uma emoção que eu nem consigo explicar em palavras. Enquanto vivia aquele momento, eu só conseguia sentir gratidão, porque sabia que, se eu estava ali, realizando meu sonho, era também graças a eles, que sempre me apoiaram, acreditaram em mim e não me deixaram desistir diante dos primeiros obstáculos. Poder compartilhar aquela conquista com as pessoas que estiveram ao meu lado desde o início foi como fechar um ciclo e, ao mesmo tempo, mostrar a eles que todo o esforço tinha valido a pena. Foi muito mais do que um voo: foi a oportunidade de retribuir, de alguma forma, todo o amor, apoio e confiança que sempre depositaram em mim.
Panorama: O que mais encanta você nessa profissão?
Kauany: A sensação de movimento. A aviação mostra que o mundo é grande, mas também conectado. Em um mesmo dia, a gente cruza caminhos com pessoas muito diferentes. Cada passageiro carrega um motivo para estar ali. Também me encanta saber que faço parte de algo que exige união. Um voo seguro depende de muitas pessoas trabalhando juntas. Tripulação, pilotos, equipes de solo, manutenção, atendimento, todos têm importância. E, claro, ainda existe aquela emoção em cada pouso e decolagem e lembrar que um dia tudo isso era só um sonho. Um sonho que não parou e, hoje, tenho todas as carteiras de Piloto Comercial. Em breve, vou decolar de outra forma






