Associações de aposentados enfrentam crise
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 4 horas
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As associações de aposentados e pensionistas de Santa Catarina atravessam um dos momentos mais delicados de sua história após a suspensão dos descontos automáticos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), medida adotada depois da repercussão do escândalo envolvendo cobranças indevidas em aposentadorias e pensões. Em Cocal do Sul, a situação tem provocado queda brusca no número de associados, redução de serviços e até demissões de funcionários.
A presidente da Associação dos Aposentados e Aposentadas de Cocal do Sul, Nena Burigo, relata que a decisão atingiu indiscriminadamente entidades sérias que prestavam atendimento direto aos aposentados. Segundo ela, o impacto foi imediato e comprometeu a sobrevivência financeira de muitas instituições.
“Quando aconteceu o escândalo do INSS, quem roubou, roubou, e quem não roubou entrou no mesmo balaio. Em um mês cancelaram tudo e a gente ficou parado, sem nada. Não tínhamos dinheiro nem para pagar aquele mês”, afirmou.
Nena explica que a associação conseguiu continuar funcionando graças a uma reserva financeira construída ao longo dos anos e à rápida redução de despesas. Ainda assim, a situação permanece extremamente delicada. Entre as medidas adotadas estão demissões, redução de horários de atendimento médico, renegociação de contratos e cortes em diversos serviços.
“Eu fiquei sabendo logo no início e comecei a cortar gastos. Demitimos funcionários, reduzimos aluguel, contabilidade, diminuímos horários dos médicos e hoje praticamente estou trabalhando sozinha”, contou.
A associação de Cocal do Sul mantinha aproximadamente três mil associados antes da suspensão dos descontos automáticos. Atualmente, o número não chega a mil. A redução, segundo a presidente, compromete diretamente a manutenção dos serviços oferecidos à comunidade aposentada.
Mesmo diante das dificuldades, a entidade continua atendendo associados com consultas médicas, atendimento odontológico, assistência jurídica e convênios com clínicas e profissionais de saúde. De acordo com Nena, muitos aposentados continuam procurando a associação justamente pela importância desses serviços, que possuem valores mais acessíveis do que os praticados no mercado.
“A gente não quer parar porque faz um trabalho bom para os nossos sócios. Temos médicos, dentistas, advogados e vários convênios que ajudam muito os aposentados”, destacou.
O problema, entretanto, não atinge apenas Cocal do Sul. Segundo a dirigente, diversas associações da região e do país enfrentam dificuldades semelhantes. Algumas já encerraram as atividades. A Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas, da qual Nena fazia parte, fechou unidades e demitiu mais de 30 funcionários. Uma sub sede em São Paulo também está sendo desativada.
Já a Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas de Santa Catarina (FEAPESC) permanece praticamente paralisada.
“A FEAPESC está parada. O prédio está lá e estamos tentando alugar para manter, para não precisar vender. A gente ainda tem esperança de que essa situação possa ser revertida, mas não vai ser fácil”, lamentou.
Na região Sul catarinense, entidades de municípios como Criciúma, Urussanga e Jaguaruna também sentem os efeitos da crise. Em Jaguaruna, conforme relatou Nena, a associação local já encerrou as atividades. As demais seguem funcionando com extrema dificuldade.
Além da questão financeira, a presidente acredita que o episódio evidenciou o sentimento de abandono vivido pelos aposentados e pensionistas brasileiros. Para ela, a categoria segue sem o devido reconhecimento social e político.
“Nós, aposentados e pensionistas, não somos vistos no Brasil. Infelizmente, somos invisíveis”, declarou.
Apesar das incertezas, a Associação dos Aposentados e Aposentadas de Cocal do Sul segue mantendo os atendimentos e buscando novos associados como forma de garantir a continuidade do trabalho desenvolvido no município.




