Urussanguenses se mobilizam para implantar Rede Feminina de Combate ao Câncer
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 1 dia
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A comunidade de Urussanga dará um passo importante na área da saúde e do apoio social com a criação da Rede Feminina de Combate ao Câncer no município.
A iniciativa, construída de forma voluntária e colaborativa por um grupo de mulheres, busca oferecer acolhimento, orientação e suporte emocional a pacientes oncológicas e seus familiares.
A formalização da entidade ocorre no dia 22 de abril, às 19h, na Casa do Colono, no Parque Municipal, em um encontro aberto à comunidade e às entidades organizadas.
Na ocasião, representantes da Rede Estadual estarão presentes para apresentar o funcionamento da instituição, além de orientar sobre os próximos passos legais, como a constituição do CNPJ, aprovação do estatuto e regimento interno.
A ideia de trazer a Rede para Urussanga surgiu a partir da experiência da voluntária Luizita Bertoncini Feltrin, que já atua na Rede de Orleans. Segundo ela, a motivação nasceu da percepção de uma lacuna no município.
“Eu era voluntária em Orleans, mas morando em Urussanga. Sempre me perguntavam por que não havia uma rede aqui. A partir disso, comecei a amadurecer a ideia e encontrei outras mulheres que abraçaram a causa”, relata.
A articulação contou com apoio e orientação da estrutura estadual, o que garantiu que o projeto fosse desenvolvido de forma organizada.
“Seguimos todos os procedimentos necessários, desde a documentação até o modelo de funcionamento. Agora estamos prontas para iniciar efetivamente as atividades”, destacou Luizita.
A diretoria da nova entidade é composta pela presidente Georgia Zanelatto Felipe, pela vice-presidente Margarete De Villa e pela primeira tesoureira Lilian Souza, além de secretárias, conselho fiscal e suplentes. Atualmente, cerca de 10 integrantes formam a diretoria e mais de 20 voluntárias se colocaram à disposição para atuar diretamente no atendimento.
O trabalho da Rede Feminina tem como principal foco o acolhimento.
De acordo com a presidente Georgia, o atendimento será baseado no cuidado humano e na escuta ativa.
“É um trabalho voluntário. Todas atuam de forma igual, independentemente do cargo. O mais importante é oferecer carinho, atenção e apoio às mulheres que enfrentam o câncer”, afirma.
Inicialmente, o atendimento ocorrerá quatro dias por semana, com a participação das voluntárias em turnos de aproximadamente quatro horas.
A sede provisória funcionará em um espaço localizado na frente do Auras, no antigo Açougue, no centro da cidade, com perspectiva de, futuramente, contar com uma estrutura própria — a exemplo de outras unidades consolidadas em Santa Catarina.
Além do acolhimento, a Rede também pretende oferecer suporte técnico. A proposta é que, em curto prazo, a instituição conte com profissionais como psicóloga e enfermeira para auxiliar no acompanhamento das pacientes.
“Queremos proporcionar orientação adequada, inclusive sobre os caminhos dentro do sistema de saúde, e também apoio emocional, que é fundamental nesse momento”, explica a equipe.
A experiência de Orleans serve como referência para o modelo que será implantado em Urussanga. Lá, a Rede desenvolve ações como acompanhamento psicológico, orientação de enfermagem, encaminhamentos médicos e grupos de apoio. Entre eles, destacam-se iniciativas como oficinas de artesanato e grupos terapêuticos voltados à troca de experiências entre pacientes.
Segundo Luizita, o impacto do diagnóstico de câncer vai além da questão física.
“Quando a pessoa recebe a notícia, surgem sentimentos como medo, revolta e insegurança. A Rede atua justamente para ajudar a enfrentar esse momento, oferecendo suporte não só à paciente, mas também à família”, pontua.
A criação da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Urussanga também reforça a importância da mobilização comunitária. A iniciativa é apartidária e construída coletivamente, reunindo mulheres de diferentes áreas e segmentos da sociedade. “Todos estão envolvidos por uma causa maior, que é o cuidado com o próximo”, ressalta a presidente.
Embora o apoio de lideranças políticas e a captação de recursos sejam considerados importantes para a manutenção e expansão das atividades, as fundadoras destacam que a essência da Rede está no voluntariado e na organização comunitária. “Os recursos são fundamentais para estruturar e ampliar o atendimento, mas a criação da Rede nasce do engajamento das pessoas e da necessidade da comunidade”, enfatiza a diretoria.
Com a implantação da entidade, Urussanga passa a integrar uma rede consolidada em diversas cidades catarinenses, fortalecendo o atendimento humanizado e ampliando o suporte às mulheres que enfrentam o câncer. A expectativa é de que, com o tempo, a estrutura local se expanda e se torne referência regional no acolhimento e orientação às pacientes oncológicas.




