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Urussanga mencionada em matéria sobre exploração em Sorveterias italianas na Alemanha

Urussanga , uma das cidades que mais exportam mão de obra, é mencionada na matéria em jornal alemão


Imagem ilustrativa IA
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Desde 1991, quando teve início o acordo do Gemellaggio entre Urussanga e a cidade de Longarone, no norte da Itália, milhares de urussanguenses considerados ítalo-brasileiros viajam todos os anos para a Alemanha para trabalhar durante a temporada de verão em sorveterias administradas por italianos.

Para parte deles, a esperança de ganhar dinheiro na Europa termina em jornadas exaustivas, salários baixos e condições de trabalho abusivas.

Essas são as denúncias divulgadas em uma investigação publicada pelo Süddeutsche Zeitung Magazin, um dos principais veículos de comunicação da Alemanha, e repercutida nesta segunda-feira (24/08) pela emissora pública italiana Rai.

A reportagem alemã resume a situação com o relato de trabalhadores que afirmam: “Somos tratados como escravos na Alemanha”.

O fenômeno, informa a matéria, tem uma origem geográfica bastante específica.


Foto da Praça Anita Garibaldi, centro de Urussanga, aparece na matéria do jornal alemão
Foto da Praça Anita Garibaldi, centro de Urussanga, aparece na matéria do jornal alemão

Segundo o Süddeutsche Zeitung, muitos dos brasileiros contratados por sorveterias alemãs são de Urussanga, Santa Catarina, município marcado pela imigração italiana.

Ao longo dos anos, formou-se uma rede que liga famílias brasileiras de origem italiana aos tradicionais donos de gelaterias que trabalham na Alemanha durante os meses mais quentes.

A investigação mostra que essa expectativa de viver nos mesmos padrões do europeu nem sempre se confirma.

Trabalhadores ouvidos pelo jornal relatam exploração, remuneração abaixo do esperado e turnos de trabalho muito extensos. Em alguns casos, a dependência do empregador para moradia e trabalho torna ainda mais difícil abandonar o emprego durante a temporada.

O Süddeutsche Zeitung afirma que milhares de brasileiros participam desse fluxo sazonal todos os anos. A reportagem também reconstrói como a tradição italiana das gelaterias na Alemanha, associada historicamente a famílias de regiões do norte da Itália, acabou criando conexões com descendentes de italianos no Sul do Brasil.

Por outro lado, mesmo considerando a jornada exaustiva, há brasileiros que gostam da oportunidade de receber em euro, vendo isto como uma conquista que não seria conseguida em território brasileiro, onde o salário mínimo não supre as necessidades básicas. Para eles, o sacrifício de uma temporada significa voltar para o Brasil com recursos suficientes para investir em imóveis e organizar a vida econômica da família de uma forma que não conseguiriam em seu próprio país.


Fontes: Italianismo.com / RAI

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