Siderópolis - Museu do Carvão recebe mostra de arte
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 2 horas
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Está aberta para visitação a 2ª Mostra de Arte da Academia de Letras e Artes de Siderópolis (Alasi), realizada em parceria com o Governo Municipal.
A exposição reúne obras do artista Nilton José Figueredo, o Mudinho, e de outros 15 artistas, e ficará aberta gratuitamente até o dia 31 deste mês no Museu do Carvão, localizado no antigo escritório da CSN, no bairro Rio Fiorita, em Siderópolis.
“Os acadêmicos decidiram homenagear nosso artista mais querido, que hoje não está mais entre nós, mas que jamais será esquecido por todos os sideropolitanos. Essa mostra não é apenas uma exposição de obras, é um reencontro com sua presença, a prova de que a arte transcende o tempo e a confirmação de que o verdadeiro artista permanece”, pontuou a presidente da Alasi, Sissa Moroso.
A exposição também está aberta para escolas do município, que podem agendar direto no local, das 8h às 12h e das 13h às 17h. “Nossa história e cultura estão sempre em festa quando abrimos exposições no museu. É uma forma de homenagear os artistas que aqui viveram e valorizar os futuros profissionais”, destacou o assessor de Cultura e Turismo de Siderópolis, Arisson Fabricio Nunes.
Ele ainda menciona que esta é a primeira galeria de arte dedicada ao artista no museu, e que a exposição conta com obras doadas por famílias de Siderópolis, obras essas que compõem o acervo material do patrimônio histórico do município.
História de Nilton Figueredo
Nilton José Figueredo nasceu em Siderópolis, em 18 de agosto de 1948, e faleceu em Criciúma, em 2 de novembro de 2018, aos 70 anos. Filho de Bianca Venturini Figueredo e João Benjamim Figueredo, cresceu ao lado dos irmãos Nestor, Nivaldo, Neroci, Nilson, João Carlos e Neusa Maria (in memoriam), em um ambiente familiar que foi seu principal espaço de afeto, acolhimento e comunicação.
Pessoa surda desde a infância, possivelmente em decorrência de uma meningite contraída aos nove meses de idade, Nilton comunicava-se com poucas palavras, quase sempre restritas ao convívio familiar. Reservado com aqueles que estavam fora de seu círculo mais íntimo, recebeu da comunidade o apelido de “Mudinho”, nome pelo qual ficou conhecido. Contudo, se o silêncio marcava sua voz, sua arte jamais se calou.
Incentivado por sua mãe, começou ainda na adolescência a desenhar e pintar. Aperfeiçoou-se por meio de curso de Desenho e Pintura por correspondência, desenvolvendo com disciplina e dedicação um talento singular. Ao longo de sua trajetória artística, produziu mais de 2.300 obras, entre telas, retratos, paisagens e expressivos painéis sacros.
Sua obra, diversificada e marcada pela preferência por cores frias, revela sensibilidade, delicadeza e profunda espiritualidade. A arte sacra tornou-se uma de suas maiores expressões, com pinturas que hoje integram o patrimônio cultural de cidades como Içara, Nova Veneza e sua terra natal, Siderópolis.
Destacam-se especialmente as pinturas realizadas no interior da Igreja Matriz de Siderópolis e da igreja do bairro Rio Fiorita, onde sua sensibilidade artística permanece viva, compondo a memória visual e espiritual da comunidade. Essas obras foram recentemente restauradas pela artista plástica Lenir Mateus Cesconeto, também acadêmica da Alasi, reafirmando o valor e a permanência de seu legado.
Apesar do silêncio que o acompanhou por toda a vida, sua arte falou alto. Mudinho tornou-se um dos grandes artistas de sua cidade, conhecido, admirado e estimado por todos. Dedicou-se intensamente ao desenho e à pintura a óleo, deixando marcas de talento, fé e sensibilidade que permanecem como parte viva da identidade cultural de sua terra. Seu legado não está apenas nas telas, mas na emoção que suas cores ainda despertam.
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