SÉRGIO MAESTRELLI
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 5 horas
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EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

No início deste mês de maio, o 1º Encontro da Família Scarabelot. O evento ocorreu na Serra, na Sociedade Cultural do município de Bom Retiro. Foram servidas refeições durante todo o dia. Eles chegavam, sentavam e se alimentavam, independente de horário. Provavelmente também não faltou pinhão na panela ou na chapa. A família Scarabelot tem origem na Província de Treviso. No período da imigração, a família se fixou em lotes na localidade de Rio Carvão. Eram quatro irmãos: Paulo, Antônio, Luiz e Ângelo. Antônio casou com Verônica Bendo e permaneceu em Rio Carvão. Os demais irmãos Scarabelot, juntamente com membros das famílias Lucietti e Bendo, com carros de boi, rumaram do Rio Carvão para o sul em busca de terras mais férteis. Ajudaram a fundar e colonizar o município de Turvo, ao lado das famílias Guizzo, Rovaris e Bez Batti, por volta de 1912. O município, hoje com seus 13.000 habitantes, é destaque na produção de arroz irrigado.
PÍLULAS
Urussanga se despediu de Luís Antônio Concer, 64 anos. Há pessoas que nesta vida passam por nós. Outras não passam, permanecem. Esse é o caso do meu amigo Chimba. Lembrança de bons momentos vividos. Da família de seu Antônio Concer e Anita Casagrande, já perdi dois grandes amigos: Ivaldo Concer, o Cram, e agora o Chimba.
Parabenizamos a equipe local da Epagri: Henrique, Eduarda, Leia e Valetim, que proporcionaram uma nova dinâmica ao programa “quarentão” Informativo Rural da Epagri pela Rádio Marconi. Nada como novos atores e novos processos. Parabéns também ao vice-prefeito Renato Bez Fontana, que usando a influência do cargo, conseguiu montar uma equipe de Extensão Rural à altura do município de Urussanga. Agora, no horizonte, a luta pela vinda de uma extensionista social.
“Todo problema, por mais grave que seja, tem mil soluções, mas nenhuma pronta”. Pe. Valdemar Carminati.
Conselho Municipal de Cultura efetuando estudos para que se providencie o tombamento do Capitel de São Pedro, bem como algumas ruas com paralelepípedos a saber: Rua do Sapo (Siqueira Campos) e rua João Pessoa (antigo prolongamento da Rua do Sapo), Duque de Caxias, Praça da Bandeira, entorno da prefeitura, Travessa da Imigração, Lucas Bez Batti e Jacinto de Brida, além da rua Américo Cadorin e Irmã Faustina, vias essas que nós todos um dia iremos percorrer.
Secretaria de Cultura promoveu a troca das bandeiras no Trevo do Paúra, na SC-108. Trocou-se as bandeiras dos Estados por bandeiras de Urussanga, Itália, Gemellagio. Não sabemos se é uma troca provisória para embelezar a Semana de Fundação de Urussanga ou definitiva. Deveria ser definitiva, pois o custo das bandeiras dos 27 estados, que requer trocas periódicas, é caríssimo e não vejo sentido cultural preponderante. Bem mais cultural seria providenciar as bandeiras das províncias italianas das regiões de onde partiram os nossos imigrantes: Veneto, Friuli-Venezia-Giulia, Lombardia, Trentino-Alto Ádige... A princípio, Urussanga teria ligações históricas apenas com RS, PR, MG e MA. Os dois primeiros, devido ao processo imigratório, Minas Gerais com a mineração do carvão e Maranhão por ter sido o estado natal do fundador Engenheiro Joaquim Vieira Ferreira.
ATTENTI RAGAZZI
“O futuro de Urussanga é o seu passado”.
André Fogliarini Ribeiro, assessor parlamentar do PL.
ATAFONA MAESTRELLI, PATRIMÔNIO CULTURAL

O milho
O milho domesticado pelos índios Astecas, Maias e Incas se tornou o maior símbolo gastronômico dos imigrantes italianos na América. Pela força das águas ou da energia elétrica e pelo movimento das pedras, a atafona transforma o grão em farinha, e a farinha por sua vez se transforma em polenta e saciou a fome da colônia italiana. Sem polenta, não haveria Urussanga.
Nasce o “Moinhos Maestrelli”
“Una bella polenta se fà cosi. Farinha de Milho “Magnólia”, dopo “Salute di Trento”. Nasce o Moinhos Maestrelli, com o beneficiamento de produtos da terra. Depois de meses de trabalho, os irmãos Antônio e Salute Maestrelli concluíam a montagem de uma atafona. A inauguração ocorreu em 28 de junho de 1956, véspera da festa de São Pedro (Petrus). Funcionou por quatro dias seguidos, da madrugada ao anoitecer. Não tinha essa de 8 horas por dia. “Paramos devido ao falecimento do Padre Luiz Gilli no dia 02 de julho. Voltamos a movimentar a atafona no dia 04 de julho e ouvimos novamente o barulho das pedras moendo”, registrou a tia Salute. Logo, as demais irmãs, Helena, Albina e Zilda (Gilde), se juntaram ao processo de moagem, ampliado com descascador de arroz e torrefação de café. A pedra é um elemento presente na Família Maestrelli, originária da comune de Tuenno (Trentino-Alto Ádige). No processo imigratório que envolveu beluneses e trevisanos, as famílias Maestrelli e Concer foram as duas únicas famílias de origem trentina. Vizinhos em Tuenno na Europa e vizinhos na América na localidade de Rio dos Americanos. Foi uma pedra de atafona e outra pedra, a do carvão, que deu suporte aos Maestrelli na Rua do Sapo e em Rio Carvão. Membros da família, como Domênico e Antônio, foram exímios pedreiros. Num túmulo de pedra descansam os antepassados da família. Grande parte dos membros da família se movimentou em torno de uma pedra. Estou me referindo à Atafona da Rua do Sapo, moendo há 70 anos.
O dia a dia de uma atafona
Iniciar uma atafona com energia elétrica foi um avanço, um salto de tecnologia para a década de 50, época em que ainda predominavam velas, lamparinas, lampiões e gasômetro. Moía-se muito milho e descascava-se muito arroz, que eram distribuídos aos armazéns de Vicente De Bona, Quintino Piovesan, Lúcio Olivier Ghisi, Valmor Bez Batti & Achiles de Pellegrin, Hilário Benincá, Carlos Spillere, Amélio Cittadin, Hugo Gastaldon, Germano Concer, Bernardo Talamini, Resmini, Feltrin... O trabalho começava antes do nascer do sol e entrava à noite com as lamparinas. Tia Salute recorda que, lá pelas 3 ou 4 horas da madrugada, havia o movimento de carros de boi carregados de sacos de milho para moer e de arroz para descascar. Numa etapa posterior o milho e o arroz em casca começaram a chegar numa Rural, numa Pick- Up ou num Jeep da Willys. Em alguns dias, o lavoro se aproximava da meia noite.
A implacável passagem do tempo
Anos vem e anos vão. As quatro irmãs da família Maestrelli mantiveram a Atafona funcionando por 30 anos e em 1986, ano do Plano Cruzado, Hadilton Maestrelli, radicado em Porto Alegre há mais de dez anos como colaborador da Rede de Supermercados Zaffari, tradicional empresa do Rio Grande do Sul, administrada por Marcelo Zaffari e Adulce e Nilson Maestrelli, resolveu alterar o rumo de sua vida, e retornava para Urussanga. Voltava para a atafona de sua infância. De lá para cá, já são 40 anos. Hoje o Derdi volta seu olhar para a passagem desses 40 anos e afirma: “Fiz a coisa certa. Voltei ao meu mundo, ao mundo da rua do Sapo, ao mundo della Nostra Benedetta. Reatei as amizades com os amigos de infância.” No fim da vida, Tia Salute afirmou que muitas vezes sonhava com o barulho da atafona, um som muito familiar para a nossa família. “Aquele som das pedras não saiu mais dos meus ouvidos”, concluiu ela.
Ano Domini de 2026

Ao longo de sua história, a Atafona Maestrelli se consolidou como um estabelecimento comercializando produtos de nossa cultura, oriundo de nossos produtores e como um importante patrimônio cultura de Urussanga, conservando a tradição de segunda a segunda. Com o passar dos anos, os caldeirões da polenta estavam sumindo. “As méscolas (espátulas de madeira para confeccionar a polenta) esquecidas, estavam indo para o fogo”, afirmou Valdecir Miotello. Então, em 2012, o Grupo Amici Della Polenta deu um basta nisso. O Derdi é o fornecedor oficial da farinha para o grupo que anda levando a nossa polenta para inúmeras cidades do Estado de Santa Catarina e para outros estados. Até cidades colonizadas por imigrantes alemães pedem polenta. O Grupo Amici Della Polenta e a Associação ProGoethe, com a “DO” do Vinho, são as duas conquistas culturais mais importantes de Urussanga nos últimos 25 anos. A Atafona completa no mês que vem, 70 anos de existência. Atualmente, além de ser um local tradicional de venda de produtos coloniais, contribui de modo significativo na preservação das nossas tradições culturais. Local onde amigos também se reúnem numa mesa com polenta, fortaia, radiche, queijo, salame, torresmo e vinho para longas conversas. Que haja tutti i giorni queste cose! No passado, pagamento em moeda, ou na base de troca de produtos. Hoje, você paga na moeda, anota no caderno ou paga no Pix. Mas o Derdi promete logo, logo, a maquininha do cartão. O empreendimento segue nas mãos do Derdi com zelo, dedicação e como exemplo de continuidade de uma grande história. A Atafona, além de moer a farinha de milho “Salute di Trento”, também agregou outra missão: a de moer saudades. O som da atafona remete meu espírito aos tempos dos bisnonos, Francesco Maestrelli e Giovanna De Brida. (Trechos condensados do livro Polenta, Machine e Lavoro – A Família Maestrelli na América)




