Presidente do Sindicato fala sobre a opção de fumo ser classificado no paiol
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 8 horas
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Os produtores de tabaco de Urussanga, Cocal do Sul e de outras regiões de Santa Catarina terão umaa mudança importante na comercialização da próxima safra.
Uma nova legislação aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) estabelece critérios para a classificação das folhas de fumo e permite que o agricultor solicite que todo o processo de avaliação do produto seja realizado diretamente no Paiol.
A medida atende a uma reivindicação apresentada pelos próprios agricultores e, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul, Adefonso Baesso, deverá representar uma mudança significativa na rotina dos fumicultores.
A expectativa é de que o novo sistema comece a ser aplicado na próxima safra.
De acordo com Baesso, a proposta foi discutida em audiências públicas realizadas em diferentes regiões do Estado antes de chegar à Assembleia Legislativa. Foram três encontros para ouvir produtores e discutir a forma de comercialização: um no Oeste catarinense, outro em Içara e um terceiro em Orleans.
“Foi um pedido dos agricultores. Embora alguns não concordem e digam que é melhor fazer a venda na empresa, a maioria sempre vence”, explicou o presidente do sindicato.
Para ele, a nova modalidade poderá trazer mais praticidade e segurança para quem produz fumo. Atualmente, o agricultor precisa transportar sua produção e se deslocar até a empresa compradora para acompanhar a classificação e a negociação. Em muitos casos, a venda de uma safra não acontece de uma única vez.
O produtor pode comercializar o fumo em muitas etapas, o que significa vários deslocamentos durante o período de comercialização.
“Ele vende uma safra de fumo em duas, três ou quatro vezes. E cada vez que ele quiser acompanhar a venda tem que ir até a empresa em Araranguá”, relata Baesso.
Com a nova legislação, o agricultor poderá solicitar que a avaliação seja realizada dentro da própria propriedade. Nesse caso, a empresa compradora terá que levar os materiais necessários para a classificação e assumir os custos relacionados ao procedimento. A mudança elimina a necessidade de o produtor transportar a produção até a empresa apenas para acompanhar a avaliação das folhas.
Além da comodidade, a legislação busca ampliar a transparência na classificação do tabaco, etapa fundamental para determinar o valor que será pago pela produção. Antes da negociação, o agricultor deverá receber uma tabela contendo as diferentes classes do fumo, acompanhada de imagens que facilitem a identificação dos padrões de qualidade. As informações deverão ser apresentadas em linguagem clara e acessível.
Na prática, o objetivo é permitir que o produtor tenha melhores condições de compreender como sua produção está sendo avaliada e verificar se o preço oferecido pela empresa é compatível com a qualidade do fumo apresentado.
Outro ponto previsto na nova regra é o registro formal do peso, da classificação e do valor negociado. Essas informações deverão constar em documento assinado tanto pelo agricultor quanto pelo representante da empresa compradora, garantindo um registro da negociação realizada.
A legislação também determina que o preço tenha como referência mínima a tabela definida pela comissão responsável por acompanhar e negociar as relações entre produtores e indústrias do setor.
Dessa maneira, o agricultor passa a contar com um parâmetro para avaliar a proposta apresentada pela empresa.
Caso não concorde com o resultado da classificação, o produtor poderá solicitar imediatamente uma nova avaliação. O procedimento poderá ser realizado por um profissional habilitado ou por um terceiro escolhido de comum acordo entre as partes, sem qualquer custo para o agricultor.
Para Adefonso Baesso, entretanto, o sucesso do novo sistema dependerá também do comprometimento de produtores e empresas. Segundo ele, a relação precisa ser baseada em transparência e responsabilidade dos dois lados.
Na avaliação do presidente do sindicato, cabe ao agricultor apresentar um produto bem preparado e corretamente classificado, enquanto a empresa deve garantir que a avaliação seja realizada de maneira justa e transparente.
Baesso destaca ainda, que a qualidade do produto continua sendo um fator essencial para o bom funcionamento da relação entre fumicultores e empresas. “Deixar um fardo de fumo bonito, bem classificado, para poder entregar um produto de qualidade, que é o que ambas as partes querem”, ressalta.
A expectativa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul é de que a primeira experiência do novo modelo seja positiva e contribua para melhorar a relação comercial entre agricultores e empresas compradoras. Para os produtores, além da redução dos deslocamentos, a possibilidade de acompanhar a classificação dentro da propriedade poderá representar maior participação no processo de venda e mais clareza sobre os critérios utilizados para definir o valor da produção.




