O Granito: A pedra da identidade e da tradição
- MARCIA MARQUES COSTA

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POR MARCIA MARQUES COSTA

Na noite da terça-feira 28/04, o urussanguense Sérgio Roberto Maestrelli esteve no legislativo para falar sobre a importância do granito na cultura local.
Com a desenvoltura de quem tem ampla base de conhecimento sobre o assunto, Maestrelli discorreu sobre a história de Urussanga e evidenciou aspectos da vida comunitária que tornaram a pedra um coadjuvante no desenvolvimento social e econômico.
É fato constatado que, nas cidades onde a imigração italiana deixou suas marcas profundas, existe uma materialidade que transcende a simples funcionalidade construtiva desse produto da natureza.
O granito, rocha de resistência notável, tornou-se muito mais que um material de construção.
Transformou-se em símbolo cultural, em memória solidificada das mãos que labutaram pela construção de uma nova identidade, numa
intersecção perfeita entre a tradição europeia e a vida na nova pátria.
Os imigrantes italianos, trazendo consigo gerações de conhecimento construtivo, encontraram também aqui o granito para as fundações e estruturas de suas casas.
E essa escolha não foi casual.
Nela estava elencada propriedade como a durabilidade, refletindo a esperança de fazer algo que perdurasse e fosse legado para futuras gerações. As fachadas de granito, frequentemente trabalhadas com técnicas trazidas de regiões do Norte da Itália,tornaram-se assinaturas arquitetônicas das propriedades coloniais.
As igrejas construídas com granito representam a vertente espiritual dessa herança. O granito das colunas, dos pisos ou dos altares em igrejas e capelas, não apenas evocavam as grandes catedrais do Vêneto, mas também simbolizavam a solidez da fé transplantada para terras distantes.
Esses templos de granito tornaram-se marcos urbanos, pontos de encontro onde a comunidade reafirmava sua identidade religiosa enquanto se integrava ao novo contexto, a exemplo da igreja de São Gervásio e Protásio na localidade de Rio Maior.
De forma menos óbvia por fazer parte do cotidiano e passar quase despercebido, o granito moldou os espaços verdes. Canteiros delimitados por pedra granítica refletiam a precisão e o cuidado do jardineiro italiano com a natureza, em espaços que honravam a relação ancestral com o cultivo.
As videiras, transportadas como mudas simbólicas das colinas do Piemonte, necessitavam de estruturas que vieram em forma de estacas e suportes de resistência ao peso e ao tempo.
Existe uma poesia involuntária nessa associação: o granito, uma das rochas mais antigas da Terra, envelhecida por bilhões de anos, torna-se o local onde a água do batismo é colocada, onde o artesão mostra seu talento, onde o busto do homenageado é sustentado e onde a videira encontrará suporte para produzir um vinho que também envelhecerá com dignidade.
A cidade, assim, incorporou essa temporalidade dupla a da geologia e a da cultura humana.
E o gran finale veio com o título estadual de Capital do Bom Vinho e com a IG do Vale das Uvas Goethe.
Quando a cidade recebeu essas duas condecorações, o granito tornou-se intrinsicamente ligado a identidade cultural de seu povo.
No desenvolvimento econômico que foi forjado a trabalho e perseverança, as ruas pavimentadas com seixos de granito não eram apenas funcionais, eram uma declaração:
“Aqui, no granito plantado por italianos em solo americano, nascem vinhos de qualidade”.
Que esse matrimônio cultural permaneça e seja respeitado. Esse foi o pedido do engenheiro agrônomo, escritor, rotariano, conselheiro do Conselho Municipal de Cultura e colaborador do Jornal Panorama -- Sérgio Roberto Maestrelli.
Da preservação
A grande preocupação de Maestrelli é com a preservação dos trabalhos em pedra já existentes, a exemplo de meio-fios em calçadas e pavimentação de ruas.
Nesse quesito, além de sugerir que sejam mantidos ostrabalhos em pedra, solicitou que o poder municipal se preocupe em não estragar a aparência das pedras harmoniosamente colocadas no chão com restos de asfalto negro tapando buracos entre as pedras..
Afirmando que não é e nunca foi contra o asfalto, Maestrelli disse que os governos devem priorizar esse tipo de pavimentação em rodovias de chão batido e manter da forma correta as que foram pavimentadas com granito.




