Ministro visita Amrec na década de 1990
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 11 horas
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No ano de 1993 o sétimo Ministro do Meio Ambiente no Brasil - Fernando Coutinho Jorge visitou o sul de Santa Catarina e participou de reunião em Lauro Muller, com os prefeitos das cidades atingidas pelo desastre ambiental pós atividade extrativista do carvão mineral.
Na oportunidade, o Ministro se solidarizou com o sentimento da comunidade local, dizendo que a situação seria bem diferente se, na época em que a mineração estava no seu auge, tivesse havido fiscalização e exigência governamental para que as mineradoras recuperassem as áreas degradadas.
Prometeu fazer o que estivesse ao seu alcance para ajudar o Sul brasileiro e voltou para Brasília-DF com uma mala cheia de ofícios e reivindicações.
Um fato que marcou bastante aquela reunião ocorrida em Lauro Muller foi o pronunciamento do então Secretário do Meio Ambiente de Santa Catarina - Amílcar Gasaniga, que esteve no cargo nos anos de 1993 e 1994.
Durante seu pronunciamento, Gasaniga disse que a região “vendeu sua alma, vendeu sua saúde e não recebeu o preço que contratou”, numa clara alusão ao fato de que parcela significativa da população regional optou pela segurança momentânea dos empregos nas minas de carvão, colocando em segundo plano a segurança ambiental que garantiria qualidade de vida às futuras gerações.
Nesse mês de março, já fazem sete anos que o ex- Ministro Fernando faleceu e a maioria dos prefeitos que participaram daquele evento estão vivendo suas aposentadorias ou deixaram esse mundo, a exemplo dos prefeito de Cocal do Sul- Ítalo Zaccaron e o de Morro da Fumaça- Octávio Naspolini.
Depois desse evento, Urussanga acompanhou muitas batalhas populares em busca de alternativas para tentar clarear a mancha negra que o carvão deixou na história regional.
Inclusive, na década de 2010, esteve em Urussanga a então Ministra do Meio Ambiente- Ideli Salvati, que também visitou a região e partiu para o Distrito Federal levando na bagagem a indignação da população local e muitos pedidos de ajuda.
Passadas mais de três décadas da vinda do Ministro Fernando e mais de uma década da Ministra Ideli, pouco ou quase nada modificou.
A exploração de carvão mineral deixou um passivo ambiental significativo, com áreas degradadas e contaminação hídrica afetando rios que, hoje, apresentam pH muito baixo (2 a 4) e altos índices de metais como ferro, alumínio e manganês, frutos da atividade carbonífera.
O assunto continua em alta no mundo da esperança e à espera de atitudes que tragam soluções definitivas e que, infelizmente, parecem se perder na nuvem da inconstância política.




