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Falta de mão de obra estrangula a agricultura e setor industrial

Presidente da ACIU diz que "um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas da nossa região é a escassez de mão de obra para suprir as vagas existentes."



Joelma Fornasa- Presidente ACIU
Joelma Fornasa- Presidente ACIU

A safra recorde de maçãs e a suinocultura em Santa Catarina viraram símbolos da crise estrutural do trabalho rural no Brasil.

Desde o começo do ano, produtores já previam a perda de grande percentual da fruta devido à falta de pessoal para a colheita.

Um deles, entrevistado pela reportagem de Panorama, informou que no seu pomar em São Joaquim, o chão ficou coberto de maçãs que acabaram apodrecendo. Não por causa do clima ou de doença, mas por falta de gente para colhê-las.

“ Só na minha propriedade, o prejuízo por causa disso ultrapassou as 40 toneladas de maçã perdidas. Não temos uma colheita automatizada, as maçãs não ficam esperando para que a gente colha e dependemos de pessoas para este tipo de serviço. E, muitos deles que recebem o Bolsa Família, não querem esse salário tempórário, com medo de perder o benefício do Governo Federal. Os movimentos sindicais acreditam que a solução seria melhoria das condições de salário e trabalho. Hoje, um trabalhor deste recebe entre R$ 3,5 mil e R$ 5 mil por safra.

É uma situação complicada para nós, pois a necessidade de mão de obra não é permanente e fica inviável manter o funcionário o ano todo. Mas vejo que não é somente no setor de fruticultura que há este tipo de problema” explicou o produtor que preferiu o anonimato.

E ele parece ter razão quando fala que não são só os produtores de maçã que enfrentam esta dificuldade. A formação de profissionais qualificados e os impactos da escassez de mão de obra na competitividade da suinocultura estarão entre os temas debatidos no 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet),com a palestra “O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação” que será ministrada pelo médico-veterinário Anderson Queirós, no dia 13 de agosto próximo, em Chapecó (SC).

Por aqui não é diferente. A região da AMREC atravessa um dos seus períodos mais desafiadores. Enquanto as empresas de processamento de alimentos, têxtil, metalurgia, cerâmica e outras indústrias buscam desesperadamente profissionais qualificados, e o setor agrícola depara-se com a impossibilidade de contratar trabalhadores para colheitas e serviços essenciais, a região vê seu potencial econômico ameaçado pela escassez de mão de obra.

Não são poucos os empresários que incentivam a vinda de trabalhadores de outras regiões do Brasil e dão apoio para os que chegam de outros países, a exemplo do Haiti e Venezuela.

Segundo a presidente da Associação Empresarial de Urussanga- Joelma Fornasa, as dificuldades são grandes na região.

“Atualmente, um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas da nossa região é a escassez de mão de obra para suprir as vagas existentes. Mesmo com um número significativo de oportunidades abertas, muitas empresas encontram dificuldades tanto para atrair quanto para reter colaboradores.Além da falta de profissionais disponíveis, observamos índices de rotatividade e absenteísmo acima da média, impactando diretamente a produtividade e a competitividade das empresas. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão os afastamentos frequentes por atestados médicos e questões relacionadas à dependência química, que têm refletido de forma importante na presença e permanência dos trabalhadores nas empresas.

As empresas têm buscado alternativas para minimizar esse problema, promovendo feirões de emprego e ações de recrutamento. No entanto, muitas vezes há limitações para a realização dessas iniciativas em municípios vizinhos, que também enfrentam escassez de mão de obra e buscam reter seus trabalhadores locais.

Outro ponto importante é a necessidade de qualificação profissional e de atração de trabalhadores de outros estados e até mesmo de outros países. A experiência com migrantes, especialmente nordestinos, venezuelanos e haitianos, tem demonstrado resultados positivos, mas essa estratégia exige estrutura adequada para acolhimento, incluindo moradia, acesso à saúde e educação para as famílias.

Nesse contexto, a questão habitacional torna-se um desafio adicional. O custo elevado dos aluguéis e a baixa oferta de imóveis dificultam a atração de novos trabalhadores para o município, tornando importante o incentivo a programas habitacionais e iniciativas que ampliem a disponibilidade de moradias.

Hoje, o maior gargalo das empresas da região é justamente a disponibilidade de mão de obra. Além da escassez de profissionais, muitas empresas enfrentam dificuldades na retenção e na contratação de novos colaboradores em razão da competitividade com programas assistenciais e benefícios sociais já existentes, que, em alguns casos, acabam reduzindo o interesse pelo ingresso ou permanência no mercado formal de trabalho. Paralelamente, as empresas precisam investir cada vez mais em transporte de trabalhadores vindos de outros municípios para manter suas operações, o que eleva custos e impacta diretamente a competitividade das organizações. Encontrar soluções conjuntas entre setor produtivo e poder público será fundamental para garantir o crescimento sustentável da economia local” afirmou Joelma.

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Criado por Lady Cogumelo - Panorama SC

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