Expresso Festa do Vinho - passeio nos trilhos da preservação cultural
- MARCIA MARQUES COSTA
- há 53 minutos
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Um passeio de trem muda o ritmo do dia. Em vez de pressa, buzinas e rotas cheias de telas, a viagem convida a olhar pela janela, ouvir o ferro sobre os trilhos e perceber a paisagem com calma. Em tempos de inteligência artificial, internet e foguete que pousa de ré, o setor ferroviário surge como uma nostalgia que acalenta a alma.
E é essa experiência que será vivida por muitas pessoas neste dia 8 de agosto, quando o Museu Ferroviário de Tubarão promove o Expresso Festa do Vinho, um passeio especial de Maria Fumaça, com saída da cidade de Urussanga.
A iniciativa era para integrar a programação turística da Festa do Vinho, que aconteceria neste final de semana e acabou sendo cancelada.
O passeio, que dura aproximadamente 2 horas entre ida e volta é uma experiência que permite ao público viver uma viagem de trem típica, comum até meados da segunda metade do século passado. Durante o trajeto, gaiteiros se apresentam nos vagões, tornando a viagem ainda mais animada.
O embarque, na Estação Ferroviária de Urussanga, está programado para às 14h30 e saída do trem às 15h. O trem segue até o Bairro Esplanada, em Içara, retornando para Urussanga em um roteiro bate e volta
Por que o passeio de trem em Urussanga
desperta tanto interesse
Viagens de trem no Brasil carregam uma mistura rara de nostalgia e curiosidade.
Para quem cresceu ouvindo histórias de ferrovias, o trem remete a deslocamentos antigos, estações, apitos e cargas que ajudaram a formar cidades. Para quem nunca viajou de trem, a experiência tem outro encanto: é uma forma de turismo lenta, visual e diferente do padrão rodoviário.
Em Urussanga, esse interesse ganha uma camada regional. A cidade fica em uma área marcada por imigração europeia, pequenas propriedades, cultura do vinho e forte identidade comunitária. O passeio pela Ferrovia Teresa Cristina coloca essa paisagem em movimento, unindo memória ferroviária e turismo local.
A Ferrovia Teresa Cristina tem presença histórica no sul de Santa Catarina, especialmente ligada ao transporte de carvão mineral e à conexão entre municípios da região. Mesmo quando a operação principal não é turística, os trilhos fazem parte da memória coletiva. Por isso, um passeio especial costuma atrair famílias, fotógrafos, grupos de amigos, entusiastas de trens e visitantes que buscam uma experiência fora do roteiro comum.
Há também um fator afetivo. Muita gente leva crianças para ver um trem de perto pela primeira vez. Outras pessoas vão para reviver lembranças de infância. Em ambos os casos, a viagem funciona como um encontro com a história local, mas sem parecer uma aula formal.
O que esperar da experiência sobre os trilhos

Um passeio turístico de trem costuma ser mais do que o deslocamento entre dois pontos. A graça está no conjunto: chegada ao local de embarque, observação da locomotiva, escolha dos assentos, movimento inicial da composição, paisagens vistas da janela e pausas para fotos quando a programação permite.
No caso de Urussanga, o cenário pode incluir áreas urbanas, trechos rurais, vegetação típica da região e pontos onde a ferrovia se aproxima do cotidiano das comunidades. Mesmo trajetos curtos costumam render boas memórias, porque o trem oferece uma visão diferente do território.
O ritmo é outro. De carro, o olhar quase sempre mira a estrada. No trem, a paisagem corre lateralmente. Casas, vinhedos, morros, pontes, curvas e passagens de nível aparecem como cenas sucessivas. Para quem gosta de fotografia, isso cria boas oportunidades, desde registros amplos até detalhes de trilhos, janelas e vagões.
Também é comum que eventos ferroviários tenham uma atmosfera coletiva. As pessoas conversam, perguntam sobre a história da linha, observam a manobra do trem e se aproximam para fotografar. O passeio vira assunto antes mesmo da partida.
O valor cultural da Ferrovia Teresa Cristina para a região
A Ferrovia Teresa Cristina faz parte da história econômica do sul catarinense. Sua imagem está associada ao transporte ferroviário regional e ao desenvolvimento de atividades ligadas ao carvão, setor que marcou cidades próximas e influenciou a formação de comunidades.
Mesmo para quem não conhece detalhes técnicos da linha, a presença dos trilhos ajuda a contar uma parte da história local. Ferrovias conectam lugares, mas também deixam marcas no modo como cidades crescem. Estações, pátios, passagens de nível e ramais entram na memória das pessoas.
Quando uma ferrovia recebe um passeio turístico, ela ganha outro uso simbólico. O que antes era visto apenas como infraestrutura passa a ser visto como patrimônio. O trem deixa de ser somente máquina e vira experiência cultural.
Esse tipo de iniciativa também desperta conversas sobre preservação. Muitas ferrovias brasileiras perderam espaço no transporte de passageiros ao longo do tempo. Por isso, cada passeio especial mostra que ainda existe interesse público em vivenciar os trilhos de forma segura, organizada e educativa.
Para Urussanga, o passeio de trem pode reforçar a ligação entre turismo, memória e identidade local. Visitantes chegam pelo trem ou por causa dele, circulam pela cidade, consomem produtos locais e voltam para casa com uma percepção mais rica da região.
Dicas para fotografar melhor o passeio
Um evento ferroviário rende fotos bonitas mesmo com equipamento simples. O celular já é suficiente para bons registros, desde que haja atenção à luz e ao enquadramento.
A primeira dica é chegar cedo. Antes do embarque, a composição parada permite fotos mais estáveis. Dá para registrar a locomotiva, os vagões, os detalhes metálicos, as placas e o movimento das pessoas.
Durante o trajeto, prefira fotos pela janela sem usar zoom excessivo. O zoom digital reduz qualidade, principalmente em movimento. Encoste o celular com firmeza, espere trechos de menor vibração e fotografe paisagens mais abertas.
Também vale variar os registros. Em vez de fotografar apenas o trem por fora, busque cenas que contem a experiência:
Mãos segurando o bilhete
Crianças olhando pela janela
Trilhos fazendo curva
Reflexos no vidro
Detalhes dos bancos
Paisagem rural passando ao fundo
Pessoas observando a chegada da composição
Se o dia estiver nublado, não desanime. A luz difusa pode favorecer fotos de detalhes e retratos espontâneos. Em dias de sol forte, evite apontar a câmera diretamente contra a luz, a menos que queira uma silhueta.
O cuidado principal é não colocar a foto acima da segurança. Nenhum registro vale o risco de se aproximar demais dos trilhos ou desrespeitar uma orientação da equipe.
Como aproveitar o passeio com crianças e pessoas idosas

O trem costuma encantar diferentes gerações, mas cada grupo tem necessidades próprias. Crianças ficam curiosas com o som, o tamanho da composição e a sensação de movimento. Pessoas idosas podem se emocionar com lembranças de viagens antigas ou com histórias ouvidas na família.
Para crianças, prepare uma explicação simples antes da viagem. Conte que o trem segue pelos trilhos, que tem regras de segurança e que todos precisam aguardar a orientação para embarcar. Isso reduz ansiedade e ajuda no comportamento durante o trajeto. Levar um lanche leve pode ser útil, se as regras do evento permitirem. Também vale ter uma blusa extra, lenço umedecido e algum passatempo pequeno para momentos de espera.
Para pessoas idosas, confirme se haverá estrutura adequada de acesso, assentos, banheiros próximos à área de embarque e tempo suficiente para deslocamento. Se houver dificuldade de locomoção, entre em contato com a organização assim que as informações forem divulgadas. O passeio fica melhor quando todos conseguem vivê-lo com conforto. Planejamento simples faz diferença.

