Dados da Vigilância sanitária mostram que casos de AIDS e Hepatite se destacam em Urussanga
- MARCIA MARQUES COSTA
- há 1 hora
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A Vigilância Epidemiológica de Urussanga desempenha um papel silencioso, mas essencial para a saúde pública do município. Além do acompanhamento de surtos e epidemias, o setor é responsável por monitorar doenças de notificação compulsória, alimentar os sistemas oficiais do Ministério da Saúde e fornecer informações que orientam políticas públicas, ações preventivas e o planejamento dos serviços de saúde.
Segundo a técnica de enfermagem e gerente da Vigilância Epidemiológica de Urussanga, Edneia Cristina Acácio, todas as informações utilizadas pelo setor têm origem em sistemas oficiais do Ministério da Saúde.
Os registros de óbitos são acompanhados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), enquanto os nascimentos são contabilizados pelo Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC).
Os dados mostram que, em 2025, Urussanga registrou 173 óbitos, sendo 99 homens e 74 mulheres. Em 2026, considerando o período de janeiro a 30 de junho, foram contabilizadas 94 mortes, sendo 50 homens e 44 mulheres.
Em relação aos nascimentos, o município contabilizou 170 nascidos vivos em 2025, com 86 meninos e 84 meninas. Nos seis primeiros meses de 2026 nasceram 93 crianças, sendo 47 meninos e 46 meninas, números que demonstram um equilíbrio entre os sexos e servem de base para o planejamento das políticas públicas voltadas à infância.
Monitoramento permanente
Além dos indicadores demográficos, a Vigilância Epidemiológica acompanha pacientes portadores de diversas doenças transmissíveis e agravos de saúde.
Atualmente, 94 pessoas com HIV/AIDS realizam tratamento e acompanhamento diretamente em Urussanga. Edneia explica que esse número se refere apenas aos pacientes atendidos no município, já que alguns moradores podem optar por realizar o tratamento em cidades vizinhas e, nesses casos, ficam registrados em outro sistema municipal.
Outro grupo expressivo é o dos pacientes com hepatites virais. Segundo a gerente, mais de 200 pessoas estão cadastradas e são acompanhadas pela Vigilância Epidemiológica.
Esses pacientes permanecem em monitoramento contínuo, com avaliações periódicas ao longo do tratamento.
No caso da tuberculose, Urussanga possui atualmente quatro pacientes em tratamento ativo. A doença exige acompanhamento rigoroso durante aproximadamente seis meses, período considerado fundamental para garantir a cura e interromper a transmissão.
Entre os agravos registrados em 2026, a Vigilância Epidemiológica notificou 12 casos de meningite viral, todos acompanhados pelos serviços de saúde. Também foram confirmados dois casos de coqueluche, cujos pacientes concluíram o tratamento e receberam alta por cura.
Em relação à dengue, embora tenham ocorrido notificações de casos suspeitos ao longo do ano, nenhum exame confirmou a doença até o momento.
O município também acompanha um paciente com hanseníase em tratamento e cerca de 15 pessoas com infecção pelo HPV, que permanecem em acompanhamento conforme os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Outro agravo que passou a fazer parte da rotina da Vigilância é a esporotricose, doença transmitida principalmente por gatos infectados. Desde 2024, Urussanga registrou aproximadamente dez casos. Todos os pacientes concluíram o tratamento e, atualmente, não há casos ativos da doença, permanecendo apenas o monitoramento clínico.
Além dessas enfermidades, a Vigilância Epidemiológica acompanha diversos outros agravos previstos pela legislação sanitária, como varicela, mpox, brucelose e inúmeras doenças de notificação compulsória.
Edneia destaca que o trabalho da Vigilância Epidemiológica depende da atuação conjunta das equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Sempre que um profissional identifica um caso suspeito de doença de notificação obrigatória, a informação é encaminhada ao setor, que realiza a investigação, registra os dados nos sistemas estaduais e federais e acompanha a evolução de cada paciente.
Esse fluxo garante que as informações sejam atualizadas em tempo real, permitindo que os órgãos estaduais e o Ministério da Saúde acompanhem a situação epidemiológica de cada município e adotem medidas quando necessário.
Para quem deseja conhecer melhor o trabalho desenvolvido pela Vigilância Epidemiológica ou consultar informações sobre doenças e orientações técnicas, Edneia recomenda acessar o portal da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), onde estão disponíveis notas técnicas, protocolos e informações atualizadas sobre todos os agravos monitorados no Estado.

