Cabanha Bez Batti - Campeã pela sétima vez na Agroponte
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 8 horas
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A paixão pela pecuária, o investimento em genética e, principalmente, muito trabalho ao longo de mais de três décadas ajudaram a construir a trajetória da família Bez Batti na criação de gado da raça Brahma. À frente do criatório, Arnaldo Bez Batti, 77 anos, conta com a participação direta dos filhos Juninho e Alexandre, além de uma equipe de colaboradores, para manter um dos plantéis de maior destaque no Sul do Brasil. A mais recente conquista veio na Agroponte, onde a família garantiu, pelo sétimo ano consecutivo, o título de Grande Campeão da raça, além do Reservado de Grande Campeão.
A história começou em 1992, quando Arnaldo adquiriu algumas novilhas da Argentina e recebeu animais trazidos para Criciúma pelo empresário Mário Tiscoski, já falecido. Os animais tinham origem nos Estados Unidos e foram fundamentais para o início do plantel. Desde então, a família passou a investir continuamente na seleção genética, adquirindo reprodutores e matrizes de qualidade e utilizando técnicas como inseminação artificial e transferência de embriões.
Atualmente, o trabalho envolve cerca de 300 matrizes e aproximadamente 800 animais registrados. Todo o processo de reprodução é acompanhado e comunicado à entidade responsável pelo registro genealógico. Após o nascimento, os animais recebem identificação e passam por avaliações técnicas. O primeiro registro ocorre quando o animal tem entre quatro e cinco meses e, aos 18 meses, é realizada uma nova avaliação para a obtenção do registro definitivo. O plantel da família é formado exclusivamente por animais P.O., ou seja, puros de origem.
Outro diferencial apontado por Arnaldo é o sistema de criação. Na propriedade de Imaruí, onde a família possui 600 hectares, cerca de 400 hectares são destinados às pastagens. As matrizes permanecem no campo e, segundo o criador, não recebem alimentação suplementar. Depois dos primeiros meses de vida, os terneiros são encaminhados para Urussanga, onde passam a receber alimentação e são preparados para o manejo. De aproximadamente 300 matrizes, nascem cerca de 200 terneiros por ano.
O resultado desse trabalho pode ser observado nos animais que chegam às pistas de julgamento. O touro que conquistou o Grande Campeonato na Agroponte deste ano tem 27 meses e pesou 959 quilos. Arnaldo estima que um animal com essas características poderia alcançar valor de mercado próximo de R$ 50 mil, mas deixa claro que a família não pretende vendê-lo. Para ele, o animal representa muito mais do que um patrimônio financeiro: é resultado de anos de seleção e dedicação.
As premiações, aliás, ocupam um lugar especial na história da Cabanha. O título conquistado na Agroponte marcou o sétimo ano consecutivo de vitória, além do Reservado de Grande Campeão. Para Arnaldo, embora uma faixa ou troféu possa parecer algo simples, o reconhecimento tem enorme significado para quem trabalha diariamente com a criação. A emoção aumenta especialmente nos momentos decisivos das exposições, quando os melhores animais são colocados lado a lado para a escolha dos campeões.
A família também acumula premiações em outras exposições e eventos do setor, incluindo participações na FEAGRO, em Braço do Norte, e em Paulo Lopes. O próprio Arnaldo resume o significado das conquistas como uma confirmação de que o trabalho desenvolvido pela família está seguindo o caminho certo.

Por trás dos títulos, entretanto, existe uma rotina intensa de trabalho. Arnaldo divide as responsabilidades com os filhos Juninho e Alexandre, além de funcionários que atuam nas propriedades. Durante as exposições, a própria família participa diretamente do manejo dos animais. Na Agroponte mais recente, por exemplo, Arnaldo, a esposa, Alexandre e Juninho estiveram presentes durante praticamente toda a programação, acompanhando os animais e ajudando nas atividades.
A estrutura da família também cresceu ao longo dos anos. A propriedade de Imaruí possui 600 hectares, enquanto a área em Urussanga chega a aproximadamente 200 hectares, com boa parte destinada às pastagens. A expansão foi resultado de décadas de trabalho. Arnaldo lembra que, quando adquiriu o primeiro sítio, em 1990, a propriedade tinha pouco mais de uma dezena de hectares. Hoje, a realidade é completamente diferente.
A ligação de Arnaldo com o Brahma também nasceu de experiências pessoais. Durante uma viagem aos Estados Unidos, ele se deparou com uma propriedade onde eram criados animais da raça. O acaso acabou se transformando em uma oportunidade. Arnaldo conheceu o proprietário, que presidia associações de criadores de Brahma nos Estados Unidos, visitou o rebanho e chegou a negociar a compra de 25 machos e 25 fêmeas. A importação, porém, não foi autorizada pelas autoridades brasileiras na época.
A impossibilidade de trazer os animais dos Estados Unidos não interrompeu o projeto. Pelo contrário, a família passou a construir seu próprio plantel, selecionando matrizes e reprodutores ao longo dos anos. Hoje, segundo o técnico que acompanha o criatório, a Cabanha Bez Batti se destaca pela qualidade dos animais, sendo apontada como um dos maiores criatórios da raça em número e qualidade nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Aos 77 anos, Arnaldo mantém o entusiasmo de quem ainda enxerga muitos desafios pela frente. Para ele, a criação deixou de ser apenas uma atividade econômica e se transformou em uma realização pessoal e familiar. O patrimônio construído ao longo dos anos, segundo o criador, é fruto de muito trabalho no campo, na lavoura e na pecuária.
Ao lado dos filhos, Arnaldo pretende continuar investindo na qualidade do rebanho e participando das exposições. Juninho também faz questão de reconhecer quem contribui para o fortalecimento da atividade. Ele destaca especialmente a parceria com a Agroponte e o atendimento oferecido por Willi Backes e sua filha aos criadores durante os eventos.




