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Bradesco fecha agência em Urussanga e atendimento migra para farmácias

há 2 horas
5 min de leitura

Foto Sérgio Costa/Panorama SC
Foto Sérgio Costa/Panorama SC

No próximo mês de outubro Urussanga encerra mais um capítulo de sua trajetória econômica: o fechamento da agência bancária do Bradesco.

Segundo nota divulgada aos clientes pelo referido banco, a partir de 26 de outubro deste ano, a agência do Bradesco de Urussanga passará a funcionar em Cocal do Sul e, na Capital do Bom Vinho, haverá apenas dois pontos de atendimento: na Farmácia Santa Terezinha e na Farmagnus, ambas localizadas na Av. Presidente Vargas, centro da cidade.


O fechamento de uma agência bancária nunca é apenas uma mudança de endereço.

Em cidades menores, ele mexe com a rotina de aposentados, comerciantes, trabalhadores, empresas e moradores que se acostumaram, por décadas, a resolver assuntos financeiros em um ponto conhecido da cidade.

A decisão, além de indicar menor importância econômica em relação a Cocal do Sul, escolhido para continuar com a agência física, o qual inclusive já foi Distrito de Urussanga, marca o fim de uma presença com raízes profundas na história local.

Antes de ser Bradesco, a estrutura nasceu como Banco INCO, inaugurado em 1962. Desde então, atravessou gerações, mudanças no sistema bancário e transformações na própria forma de lidar com o dinheiro.


O que muda com o fechamento da agência


A principal mudança é simples de entender, mas importante na prática: a cidade deixará de contar com a agência bancária tradicional do Bradesco. O atendimento presencial, segundo a informação divulgada, será concentrado em dois pontos dentro de farmácias.

Esse tipo de atendimento costuma ser mais limitado do que o de uma agência completa. Por isso, moradores devem ficar atentos a quais serviços estarão disponíveis nesses locais. Pagamentos, consultas, saques, depósitos e outros procedimentos podem variar conforme a estrutura autorizada para cada ponto.

Na prática, a mudança pode afetar diferentes públicos de formas diferentes:


  • Aposentados e pensionistas

    Pessoas que preferem atendimento presencial podem sentir mais a alteração, principalmente se não usam aplicativo bancário.


  • Comerciantes locais

    Quem lida com dinheiro em espécie, pagamentos e movimentação frequente pode precisar reorganizar a rotina.


  • Moradores da área rural

    Para quem já precisa se deslocar até o Centro, a redução do atendimento presencial pode tornar cada ida ao banco mais planejada.


  • Clientes com demandas específicas

    Assuntos como crédito, renegociação, abertura de conta, encerramento de conta e serviços empresariais podem exigir canais diferentes.


O fechamento da agência também reforça uma tendência que já vinha ocorrendo em várias cidades brasileiras: a redução de estruturas bancárias tradicionais e a ampliação de canais digitais e de correspondentes. Ainda assim, em localidades com forte vínculo comunitário, a agência não é vista apenas como um ponto de atendimento. Ela também representa confiança, hábito e presença institucional.


Por que a agência tinha peso simbólico em Urussanga


Urussanga não perde apenas um espaço bancário. Perde também um ponto que ajuda a contar parte de sua história econômica recente.

Durante décadas, a agência foi uma referência para famílias, empresas, agricultores, aposentados e profissionais liberais. Era o lugar onde se abriam contas, se assinavam documentos, se buscavam financiamentos, se pagavam compromissos e se resolviam pendências que, por muito tempo, só podiam ser tratadas pessoalmente.

Em cidades pequenas, esse contato direto cria memória. Muitas pessoas lembram do primeiro gerente que as atendeu, da primeira conta aberta, do financiamento para construir ou reformar uma casa, do pagamento do salário, da aposentadoria recebida no caixa, das filas em dias de movimento.

A mudança também toca em um ponto sensível: nem todos os moradores acompanham o ritmo da digitalização bancária. Aplicativos e caixas eletrônicos facilitaram a vida de muita gente, mas também criaram barreiras para quem tem dificuldade com tecnologia, não confia em operações digitais ou prefere conversar com uma pessoa antes de tomar decisões financeiras.


Do Banco INCO ao Bradesco


A história do Bradesco em Urussanga, segundo a escritora Marcia Marques Costa em seu livro Tanti Anni Dopo, começa em 1962. Naquele ano, foi inaugurado o Banco INCO, instituição que antecedeu a presença do Bradesco no município.


Arquivo Jornal Panorama - Locutor Odemar Costa com o Padre Agenor na benção inaugural do Banco Inco
Arquivo Jornal Panorama - Locutor Odemar Costa com o Padre Agenor na benção inaugural do Banco Inco

O episódio de inauguração teve um elemento marcante, nos relata a escritora. O locutor urussanguense Odemar Costa, que na época trabalhava na Rádio Difusora de Itajaí, do grupo dos proprietários do referido banco, veio daquela cidade para transmitir a cerimônia. A sede do Banco INCO ficava em Itajaí, e a vinda do locutor mostra a importância dada ao novo ponto bancário em Urussanga que recebeu a bênção por intermédio do Monsenhor Agenor Neves Marques e foi inaugurado na administração do prefeito Adelino Bettiol.

A chegada ocorreu no mesmo comboio que trazia o deputado Eduardo Santos Lins, conhecido como Pimpa. A cena ajuda a dimensionar o peso do acontecimento para a época. Inaugurar um banco em uma cidade do interior, nos anos 1960, era sinal de crescimento, circulação econômica e novas possibilidades de crédito.

Naquele período, o banco físico era ainda mais central do que hoje. Não havia aplicativos, transações instantâneas ou atendimento digital. A agência era o caminho para praticamente qualquer relação formal com o sistema financeiro.



Arquivo Jornal Panorama - Defendi Damiani e sua esposa Angélica Furghesti.
Arquivo Jornal Panorama - Defendi Damiani e sua esposa Angélica Furghesti.

O Banco INCO teve como primeiro e único gerente Defendi Damiani. Ele construiu a sede em Urussanga e permaneceu no cargo até 1968, quando a instituição foi vendida ao Bradesco, passando a integrar uma das maiores redes bancárias do país.

Para muitos moradores, especialmente os mais jovens, o imóvel e o atendimento sempre estiveram associados ao Bradesco. Mas a origem no Banco INCO mostra que a história é mais antiga e mais ligada ao desenvolvimento local do que parece à primeira vista.

Esse detalhe dá à história um caráter ainda mais local. Não se tratava apenas da chegada de uma marca bancária. Havia pessoas da comunidade envolvidas, uma sede construída na cidade e uma trajetória que fez parte da vida econômica de Urussanga por mais de seis décadas.

As instituições bancárias acompanham ciclos econômicos.

Elas chegam quando há demanda por serviços, crescem com o comércio, financiam projetos, adaptam-se a crises e mudam conforme a tecnologia avança. Em Urussanga, essa trajetória passou por diferentes momentos do município, desde uma economia mais dependente de relações presenciais até o cenário atual, em que grande parte das operações migrou para o celular.

Essa passagem do tempo ajuda a explicar por que o fechamento de uma agência desperta memória. O prédio, os funcionários e os atendimentos cotidianos formaram uma espécie de ponto fixo em meio às mudanças da cidade.

Para quem acompanha a história local, a referência feita por Marcia Marques Costa em Tanti Anni Dopo preserva um registro importante. Sem esse tipo de memória, a decisão de fechar a agência poderia parecer apenas administrativa. Com ela, fica claro que o encerramento também fecha um capítulo da vida urbana de Urussanga.


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Criado por Lady Cogumelo - Panorama SC

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