Agricultores de Urussanga e Cocal do Sul visitam a Expointer

A busca por novas tecnologias, conhecimento e oportunidades para melhorar o trabalho no campo levou um grupo de 53 agricultores de Urussanga e Cocal do Sul à 49ª edição da Expointer, realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, no Rio Grande do Sul. A viagem foi organizada por meio de uma parceria entre o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, as prefeituras dos dois municípios e a participação dos próprios agricultores.
Para muitos dos participantes a visita é uma oportunidade de conhecer de perto equipamentos e tecnologias que, embora muitas vezes estejam distantes da realidade das pequenas propriedades da região, podem apontar caminhos para o futuro da agricultura.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urussanga e Cocal do Sul, Adefonso Baesso, explica que a participação na Expointer se tornou uma tradição.
Segundo ele, a parceria entre o sindicato e os municípios existe há cerca de 20 anos e tem justamente o objetivo de proporcionar aos agricultores o contato com novidades que dificilmente seriam conhecidas apenas no dia a dia das propriedades.
“Mais um ano que viemos participar da Expointer. São 53 cidadãos de Urussanga e Cocal do Sul. Viemos em uma parceria com as prefeituras e o sindicato, com a colaboração de todos”, destacou Adefonso.
Para o dirigente sindical, mesmo sendo uma viagem cansativa, o esforço compensa.
“O agricultor aproveita, fica andando o dia todo, procurando e tentando ver o que é melhor em tecnologia para ele. No fim, vale a pena”, afirma.
A Expointer 2026 reúne cerca de dois mil expositores e apresenta uma ampla variedade de máquinas, equipamentos, animais, produtos da agricultura familiar, serviços e tecnologias. São 7.926 animais inscritos. O parque possui 141 hectares e conta com dezenas de espaços destinados a exposições, julgamentos, leilões e atividades relacionadas ao setor agropecuário.
Entre os agricultores de Urussanga, a tecnologia empregada nas atividades rurais foi um dos principais atrativos.
O produtor de banana Rui Donadel, morador da comunidade de Rio América, em Urussanga, também participa pela terceira vez da Expointer. Proprietário de uma área de seis hectares cultivada com banana, ele viajou principalmente motivado pela curiosidade e pela possibilidade de realizar alguns negócios. “Vim mais para conhecer e também para fazer alguns negocinhos”, explica.
Para o agricultor, a Expointer permite observar uma diversidade de equipamentos e soluções para o setor produtivo, além de possibilitar contato com empresas e produtores de diferentes regiões.
Também pela terceira vez na feira, Evaldo Luiz Baesso, morador de Linha Pacheco, em Urussanga, avalia que a Expointer continua apresentando muitas novidades a cada edição. Aposentado atualmente, ele trabalhou durante muitos anos em empresas fumageiras e acompanha com interesse as transformações do setor. “É muito parecido com as outras vezes, só que tem bem mais tecnologia agora”, observa Evaldo.
Apesar de reconhecer que parte das tecnologias apresentadas na feira ainda não corresponde diretamente à realidade das pequenas propriedades da região, ele considera importante que os agricultores tenham contato com essas novidades.
“Não é bem a nossa realidade nas pequenas propriedades, mas é sempre bom ver algo novo”, afirma.
O fumicultor Marcelino Baesso, morador de Armazém, participa pela segunda vez da Expointer e encontrou um equipamento que despertou seu interesse: o drone agrícola.
O equipamento chamou tanta atenção que o agricultor considera a possibilidade de adquirir um modelo para utilizar na propriedade e também prestar serviços a outros produtores.
“Me chamou mais a atenção o drone agrícola”, conta Marcelino. Questionado sobre o preço, ele relata que encontrou equipamentos na faixa de R$ 250 mil. A ideia, segundo ele, seria utilizar a tecnologia principalmente na pulverização das lavouras de fumo e também trabalhar com prestação de serviços.
O interesse demonstra como tecnologias que até pouco tempo pareciam distantes da agricultura familiar começam a despertar a atenção dos produtores. Drones agrícolas são utilizados para diferentes atividades, como pulverização, monitoramento de lavouras e identificação de problemas nas plantações, permitindo maior precisão em determinadas operações.
Embora o investimento ainda seja elevado para uma pequena propriedade, a possibilidade de utilização coletiva ou de contratação do serviço pode tornar essas ferramentas mais acessíveis aos agricultores.
Além das máquinas e equipamentos de grande porte, os agricultores de Urussanga e Cocal do Sul também encontraram na Expointer um espaço diretamente ligado à realidade da pequena produção: o Pavilhão da Agricultura Familiar.
Na edição de 2026, o espaço reuniu 509 expositores de 216 municípios gaúchos, entre agroindústrias familiares, artesanato, plantas, mudas e flores. São 400 empreendimentos de agroindústria, 74 de artesanato e 28 ligados a plantas, mudas e flores, além de sete cozinhas.
A diversidade também apareceu na participação de jovens e mulheres. São 265 jovens envolvidos nos empreendimentos e 179 negócios liderados por mulheres. Nos primeiros cinco dias da feira, o Pavilhão da Agricultura Familiar havia registrado mais de R$ 5,8 milhões em vendas, demonstrando a força econômica da produção em pequena escala.
Para Adefonso Baesso, justamente essa possibilidade de observar diferentes experiências faz com que a viagem tenha valor para os agricultores da região.
Segundo ele, a intenção é manter a participação em grandes eventos do setor.
“Com certeza, em 2027, vamos estar de volta, se Deus permitir”, afirma. Adefonso também cita a intenção de continuar levando agricultores para outras feiras importantes, como a Expo Agro e a AFUBRA, realizadas tradicionalmente em março.
A participação dos produtores de Urussanga e Cocal do Sul na Expointer reforça a importância do intercâmbio de informações para a agricultura regional. Mesmo quando determinada máquina ou tecnologia ainda não cabe na realidade financeira de uma pequena propriedade, conhecer novas possibilidades permite ao agricultor acompanhar as transformações do setor, avaliar alternativas e pensar em soluções que possam ser adaptadas à sua realidade.





