Pedras Grandes é o primeiro município da região a cancelar acordo com a Itália
- MARCIA MARQUES COSTA

- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Prefeito diz que omissão dos italianos na defesa dos ítalo-descendentes foi falta de respeito

Berço da imigração italiana no Sul de Santa Catarina, o município de Pedras Grandes pode estar iniciando um movimento diferente do que se viu até agora na região.
Essa história inicia na própria Itália, onde foi aprovada a lei que restringe o direito à cidadania por Jus sanguinis que, traduzido do latim , significa “direito de sangue”.
Esse princípio legal, onde a cidadania era automaticamente herdada dos pais ou ancestrais, independentemente do local de nascimento, permitiu que milhares de ítalo-descendentes portassem o passaporte vermelho conquistado nos Consulados, após apresentação de muitos documentos e muita espera, ou através de agências especializadas nesse tipo de documentação.
Ter a cidadania daqueles que corajosamente atravessaram oceanos para fundar cidades na mata fechada, acabou tornando-se um orgulho que levava muita gente a visitar la patria madre dos ascendentes.
Mas, ao menos em Pedras Grandes, o que era orgulho virou revolta.
Indignado com a omissão dos políticos e das lideranças que visitavam a cidade como amigos, o prefeito Agnaldo Filippi resolveu cancelar o Pacto de Amizade que havia feito com a cidade de Belluno, na província de mesmo nome, no Norte da Itália.
E a indignação do prefeito contagiou os vereadores da cidade, os quais votaram por unanimidade para acabar com o pacto internacional.
O que todos esperavam era que, no mínimo, algum documento mostrando a solidariedade dos italianos aos ítalo-descendentes fosse tornado público.
Para Agnaldo Filippi, essa omissão foi considerada uma falta de respeito.
“Se não há respeito, não há amizade. Sendo assim, não há motivos para continuidade do pacto” afirmou o prefeito.
Após a aprovação no legislativo, a decisão de terminar o Pacto de Amizade foi encaminha aos órgãos competentes na Itália.
Pedras Grandes é o primeiro na região e pode ser o primeiro em Santa Catarina e no Brasil a mostrar sua indignação rompendo laços históricos.










