Cocal do Sul - Vilmar, uma vida guiada pelas abelhas
- MARCIA MARQUES COSTA

- há 45 minutos
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Morador da localidade de Rio Perso, em Cocal do Sul, Vilmar José Piuco construiu ao longo de 45 anos uma história marcada pelo trabalho, pela persistência e, sobretudo, pela paixão pela apicultura. Hoje reconhecido como um dos apicultores experientes da região, ele mantém atualmente cerca de 1.400 colmeias distribuídas em diferentes localidades do município e arredores, como Rio Caeté, Rio América, Santana e Belvedere.
Antes de se dedicar integralmente às abelhas, Vilmar teve uma trajetória profissional diversa. Trabalhou como pedreiro e também atuou na Cerâmica Eliane.
A mudança de rumo aconteceu a partir de um vínculo familiar: seu sogro, conhecido como Zacaron, já era apicultor e acabou sendo a principal inspiração para que Vilmar ingressasse na atividade. “Comecei fazendo caixas e aprendendo no dia a dia. Fomos indo trabalhando, até que a apicultura virou a minha vida”, relembra.
No início, Vilmar trabalhou junto com o sogro em um grande apiário, que chegou a contar com cerca de cinco mil colmeias. Posteriormente, decidiu seguir de forma independente. Ao longo dos anos, seu próprio plantel cresceu gradativamente: chegou a ter 600 colmeias e, atualmente, administra aproximadamente 1.400, número que reflete dedicação constante e profundo conhecimento técnico.
A produção de mel varia conforme o clima e a florada. Na colheita da primavera mais recente, realizada entre outubro e novembro, o rendimento médio ficou entre 10 e 15 quilos de mel por colmeia, resultando em uma produção estimada entre seis e sete toneladas. Em anos especialmente favoráveis, como em 2020, a produtividade foi ainda maior. Naquela safra, durante a florada do eucalipto, Vilmar chegou a colher 28 toneladas de mel. Desde então, fatores climáticos reduziram a média anual para patamares entre 10 e 15 toneladas.
“O tempo é quem manda”, resume o apicultor. Segundo ele, períodos prolongados de chuva ou pancadas intensas comprometem a florada, fazendo com que as flores apodreçam e prejudiquem a produção. Em contrapartida, anos de clima equilibrado, com chuvas leves e espaçadas, favorecem significativamente o trabalho das abelhas. “Quando corre bem, sem vento e com chuva a cada quinze dias, a abelha produz muito”, explica.
A maior parte do mel produzido é comercializada com empresas da região. A venda direta ao consumidor final ainda é pequena: cerca de 200 quilos por ano são embalados em potes. O quilo do mel é vendido, em média, a R$ 25, valor que, segundo Vilmar, ainda enfrenta um desafio cultural. “O brasileiro consome pouco mel”, observa.
Além da produção, a apicultura exige cuidados constantes. Em anos de clima desfavorável, quando a florada não é suficiente, é necessário alimentar as abelhas para garantir sua sobrevivência. Essa suplementação é feita com açúcar específico, de coloração mais escura, cuja composição atende às necessidades do enxame. “Se não alimentar, morre tudo”, afirma com simplicidade.
Para Vilmar, a apicultura vai muito além do aspecto financeiro. Apesar das dificuldades e da oscilação de resultados, ele define a atividade como uma paixão. Chegou a cogitar desistir, colocando colmeias à venda, mas uma boa safra recente o fez mudar de ideia. “Eu estava quase desistindo, mas daí veio uma produção boa. Aí eu pensei: Deus não quer que eu desista”, relata.
Outro aspecto importante do trabalho é a parceria com proprietários de terras onde as colmeias são instaladas. Como forma de compensação, Vilmar paga, em média, um quilo de mel por caixa ao dono do terreno. Em locais com boa florada de eucalipto, a produção pode chegar a 20 ou 25 quilos por colmeia, tornando o acordo vantajoso para ambas as partes.
A multiplicação das colmeias é feita de forma planejada, priorizando a criação de rainhas novas. O processo ocorre, preferencialmente, entre setembro e outubro, no início da safra. A técnica consiste em dividir colmeias fortes, estimulando a criação de novas rainhas, que se desenvolvem a partir de alimentação exclusiva com geleia real. Em cerca de 30 dias, a nova colmeia já entra em produção. “Falha muito pouco, dois ou três por cento, se fizer na época certa”, explica.
Além do mel, a produção de cera também é uma fonte importante de renda. A cera extraída é derretida e comercializada, podendo alcançar valores de até R$ 80 o quilo quando vendida em placas. Parte dessa produção é reaproveitada na própria atividade, reduzindo custos e garantindo sustentabilidade ao sistema produtivo.
A rotina de trabalho envolve toda a família. Vilmar atua diretamente no campo ao lado do genro, Johnny, enquanto a esposa e a filha auxiliam nas etapas de beneficiamento do mel e da cera, especialmente no manuseio dos favos. Eventualmente, outros colaboradores ajudam conforme a demanda.










