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SAMAE - Expansão e responsabilidade financeira marcam nova fase



Garantir água de qualidade para a população, ampliar o abastecimento nas comunidades do interior, planejar a expansão da rede de esgoto sanitário e, ao mesmo tempo, administrar um pesado compromisso financeiro herdado de uma condenação judicial. Esses são alguns dos desafios que atualmente fazem parte da rotina do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE) de Urussanga.

Em entrevista ao Panorama, o vice-prefeito e diretor do SAMAE, Renato Bez Fontana, apresentou um balanço das ações desenvolvidas pela autarquia, destacando que o foco principal da administração continua sendo assegurar o abastecimento de água para uma cidade que cresce e cuja demanda aumenta a cada ano.

Segundo ele, uma das principais obras em andamento é a integração do sistema de abastecimento entre a Estação de Tratamento Central, a Vila Romana, e o bairro Pirago. Hoje, parte da Vila Romana e todo o bairro Pirago são abastecidos pela Estação de Tratamento do Rio Salto, que opera próxima de seu limite.

A nova adutora permitirá que o bairro Pirago passe a receber água proveniente da estação central da cidade, reduzindo significativamente a pressão sobre o sistema do Rio Salto.

“Esse é um projeto importante porque vai aliviar a carga da estação do Rio Salto, melhorando o abastecimento para toda aquela região”, explica Renato.

A obra exige escavações ao longo das calçadas e apresenta elevado grau de complexidade técnica, mas a expectativa é de que seja concluída nas próximas semanas. Outra frente considerada prioritária é a ampliação da rede de abastecimento para a comunidade do Rancho dos Bugres.

O projeto revelou-se mais complexo do que inicialmente previsto. A tubulação existente possui capacidade insuficiente, o que provocou falta de água durante o último verão, principalmente nas áreas mais altas da comunidade.

Para solucionar o problema, o SAMAE está implantando uma nova rede com tubulação de maior diâmetro, de 85 milímetros, ligando a Linha Rio Maior até a entrada da comunidade.


A etapa inicial da obra já foi concluída e a continuação deverá ocorrer logo após o término da intervenção no bairro Pirago.

Além da ampliação das redes, a autarquia também aposta na melhoria da qualidade da água distribuída à população. Após o bom resultado obtido na comunidade do Rio Maior, o SAMAE iniciou a aquisição de novos filtros minerais produzidos com rochas vulcânicas, tecnologia que reduziu significativamente problemas relacionados à presença de ferro e manganês na água.

Quatro equipamentos foram licitados por aproximadamente R$ 257 mil. Cada unidade possui custo entre R$ 60 mil e R$ 100 mil e vida útil estimada entre três e cinco anos.

Os novos filtros serão instalados nas comunidades de Santana e Rio Salto, onde há características semelhantes às encontradas anteriormente no Rio Maior. Embora reconheça a importância da expansão da rede de esgoto sanitário, Renato afirma que a prioridade imediata continua sendo o abastecimento de água. Hoje, entre 20% e 25% da área urbana de Urussanga conta com tratamento de esgoto. Mesmo assim, o SAMAE já elabora projetos para ampliar o sistema em bairros como Brasília, De Brida, Vila São José e parte da região central. Os projetos executivos devem ser concluídos até setembro. A execução, entretanto, dependerá da obtenção de recursos estaduais ou federais.

No ano passado, a autarquia encaminhou à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) um projeto de aproximadamente R$ 1,5 milhão destinado à Baixada Fluminense, mas o financiamento ainda não foi aprovado.

Enquanto busca recursos maiores, o SAMAE continua realizando pequenas ampliações com equipe e equipamentos próprios. Outro investimento recente foi a implantação da rede principal de esgotamento sanitário no Parque Municipal Ado Cassetari Vieira. Segundo Renato, embora muitas pessoas associem a obra exclusivamente à realização da Festa do Vinho, o objetivo principal foi atender a demanda permanente existente no local, especialmente na região da Casa do Colono, onde são realizados diversos eventos ao longo do ano. A rede principal foi concluída e agora restam as ligações individuais das edificações existentes no parque. A obra foi executada praticamente com estrutura própria do SAMAE, utilizando mão de obra e maquinário da autarquia, representando investimento estimado entre R$ 50 mil e R$ 70 mil.


Garantia do futuro

Pensando no crescimento da cidade, o SAMAE realizou estudos para identificar novas alternativas de captação de água. Após análises envolvendo rios, nascentes e até possibilidades de exploração subterrânea, a conclusão foi de que o Rio Maior representa a melhor solução para garantir o abastecimento futuro de Urussanga. Estudos técnicos realizados com apoio do engenheiro agrônomo e pesquisador aposentado da Epagri, Álvaro Bach, demonstraram que o manancial possui capacidade para fornecer até cinco vezes mais água do que atualmente é captada.Já a utilização de poços profundos esbarra em limitações geológicas características da região, onde há elevada concentração de ferro, manganês e antigas camadas carboníferas que comprometem a qualidade da água subterrânea.

Responsabilidade


Além das obras, o diretor reforça que a preservação dos mananciais depende também da participação da comunidade.

O SAMAE vem desenvolvendo o programa Guardião das Águas, buscando conscientizar produtores rurais e moradores sobre práticas que preservem as áreas de captação.

Segundo ele, atividades legais, como desmatamentos, movimentação de solo e concentração de animais próximos aos cursos d’água, podem provocar aumento da turbidez e comprometer a qualidade da água destinada ao consumo humano.

Outro ponto destacado é a necessidade de os próprios consumidores possuírem reservatórios de água em suas residências.

Renato observa que muitas reclamações registradas durante interrupções temporárias no abastecimento partem de imóveis que sequer possuem caixa d’água instalada.

O SAMAE estuda, inclusive, a criação de um programa de incentivo para famílias de baixa renda adquirirem reservatórios, reduzindo os transtornos em situações emergenciais.

“A água é responsabilidade de todos. O SAMAE está fazendo sua parte, investindo em infraestrutura, qualidade e ampliação do sistema, mas cada cidadão também precisa colaborar para garantir um abastecimento mais seguro e sustentável”, destaca Renato Bez Fontana.



Indenização milionária


Um dos maiores desafios enfrentados atualmente pelo SAMAE não está relacionado à engenharia, mas às finanças.

Neste ano, a autarquia precisou assumir o pagamento de uma condenação judicial decorrente de um acidente ocorrido em 2006.

O valor da indenização chegou a R$ 1.507.000, quantia inicialmente quitada pela Prefeitura de Urussanga.

Agora, conforme acordo firmado entre o Município e o SAMAE, a autarquia fará o ressarcimento em parcelas.

Inicialmente serão repassados R$ 400 mil. Depois, os pagamentos passarão a ser de R$ 60 mil mensais até a quitação da dívida.

Para Renato, o impacto é significativo.

“O SAMAE possui orçamento mensal em torno de R$ 600 mil, mas nossa capacidade de investimento gira perto de R$ 100 mil por mês. Uma despesa dessa dimensão altera completamente o planejamento financeiro”.

Além da indenização, permanece uma pensão vitalícia decorrente da mesma condenação judicial, atualmente em torno de R$ 9 mil mensais.

Apesar do cenário, o diretor afirma que a administração busca preservar os investimentos considerados essenciais para a população.

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Criado por Lady Cogumelo - Panorama SC

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