Ex-prefeito relembra revitalização histórica da Praça Anita Garibaldi
- MARCIA MARQUES COSTA

- 11 de jun.
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No dia 9 de junho, completou 31 anos que o Jornal Panorama registrou o início de uma obra que traria um novo visual a um ponto marcante da Benedetta.
Trata-se da Praça Anita Garibaldi, coração histórico e cultural de Urussanga, que passou por uma de suas mais significativas transformações na década de 1990.
Responsável pela revitalização iniciada em 1995, o ex-prefeito José Vânio Piacentini relembrou, em entrevista, os bastidores da obra que modificou a paisagem urbana da cidade e marcou uma geração de urussanguenses.
Segundo Piacentini, a intenção inicial da administração municipal era promover uma ampla restauração do espaço, preservando sua importância histórica, mas oferecendo uma nova configuração paisagística e estrutural à praça.
“Pensávamos em fazer uma restauração que desse uma nova feição à Praça Anita Garibaldi, principalmente em seus jardins e na sua composição paisagística”, recordou.
Para desenvolver o projeto, a Prefeitura contou com o trabalho do arquiteto Hildo Tegner e do então diretor de Cultura, Nevton Bortolotto, também arquiteto.
A proposta previa uma revitalização dos canteiros e passeios e uma série de intervenções que buscavam modernizar e ampliar a utilização do espaço público. Entre as ideias mais ousadas estava a criação de um calçadão no trecho lateral da praça, junto à área comercial localizada ao lado direito da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.
O projeto previa o fechamento da via ao trânsito de veículos, transformando-a em espaço exclusivo para pedestres.

“Entendíamos que aquilo valorizaria o comércio, permitiria maior circulação de pessoas e até a instalação de mesas e espaços de convivência. Mas os comerciantes da época acreditaram que a mudança poderia prejudicar suas atividades”, explicou.
A proposta foi apresentada à comunidade durante audiência pública promovida pela administração municipal. Apesar da defesa do projeto por parte do governo, a resistência dos comerciantes levou ao abandono da ideia do calçadão.
Outra inovação prevista era a instalação de um quiosque central, destinado à comercialização de jornais, revistas e ao lazer dos frequentadores da praça, especialmente aposentados que utilizavam o local como ponto de encontro. O equipamento também acabou não sendo executado.
Mesmo sem a implantação integral do projeto original, a revitalização transformou significativamente a Praça Anita Garibaldi.
Um dos principais destaques foi a substituição completa do pavimento existente e a reestruturação dos jardins.
As pedras utilizadas nos canteiros foram obtidas por meio de uma parceria com a família Costa. Segundo Piacentini, a então proprietária Odete Costa teve participação decisiva no projeto, disponibilizando material e contribuindo diretamente com a implantação dos jardins.
“As pedras pretas que podem ser vistas nos canteiros vieram da propriedade da família Costa. Dona Odete foi uma grande incentivadora da obra e também colaborou no plantio das flores e das rosas que passaram a compor o paisagismo da praça”, destacou.
O trabalho contou ainda com a participação do artesão Nicanor Zavarise, reconhecido pelo conhecimento em corte e talhamento de pedras, responsável por contribuir na execução dos elementos decorativos que passaram a integrar o espaço.
Já o novo piso foi adquirido junto a fornecedores de Braço do Norte, município que, na época, era referência na produção desse tipo de revestimento. A escolha buscou harmonizar o pavimento com os materiais utilizados nos canteiros, criando uma identidade visual que permanece característica da praça até os dias atuais.
Além da revitalização do espaço central da cidade, a administração aproveitou parte das placas de concreto retiradas da praça para promover melhorias no Cemitério Municipal. O material foi reutilizado na pavimentação de áreas internas, demonstrando preocupação com o aproveitamento dos recursos públicos.
Passados mais de 30 anos da conclusão da obra, Piacentini afirma acompanhar com preocupação o estado atual de conservação da Praça Anita Garibaldi.
Para ele, a falta de manutenção periódica compromete elementos importantes do patrimônio urbano construído ao longo dos anos.
“Não é apenas o coreto que necessita de atenção. Existem peças quebradas, áreas danificadas pela expansão das raízes das árvores e diversos pontos que precisam de restauração. Isso exige manutenção constante”, observou.
O ex-prefeito ressalta que preservar a praça significa valorizar a história e a identidade de Urussanga. Segundo ele, o investimento realizado na década de 1990 exigiu grande mobilização comunitária, parcerias e intenso trabalho de execução.
“Aquilo representou um custo importante para a época, principalmente pelo trabalho artesanal envolvido. É um patrimônio da população e precisa ser preservado para as futuras gerações”, afirmou.
Mais do que uma área de lazer, a Praça Anita Garibaldi sempre foi considerada um dos principais símbolos da cidade.
Palco de eventos, encontros comunitários e manifestações culturais, o espaço permanece como referência afetiva para milhares de moradores.




